01/04/2008

1 04 2008

* 4004
O primeiro microchip comercial foi lançado pela Intel em 1971 e
chamava-se 4004. Como o nome sugere, ele era um processador que
manipulava palavras de apenas 4 bits (embora já trabalhasse com
instruções de 8 bits). Ele era composto por pouco mais de 2000
transístores e operava a apenas 740 kHz.
Na verdade, o 4004 era tão lento que demorava 10 ciclos para processar
cada instrução, ou seja, ele processava apenas 100.000 instruções por
segundo. Hoje em dia esses números perecem piada, mas na época era a
última palavra em tecnologia. O 4004 foi usado em vários modelos de
calculadoras.
Embora fosse muito limitado, ele foi muito usado em calculadoras, área
em que representou uma pequena revolução. Mais do que isso, o sucesso
do 4004 mostrou a outras empresas que os microchips eram viáveis,
criando uma verdadeira corrida evolucionária, em busca de
processadores mais rápidos e avançados.
Em 1972 surgiu o Intel 8008, o primeiro processador de 8 bits e, em
1974, foi lançado o Intel 8080, antecessor do 8088, que foi o
processador usado nos primeiros PCs. Em 1977 a AMD passou a vender um
clone do 8080, inaugurando a disputa Intel x AMD, que continua até os
dias de hoje.

* Plug-and-play
Atualmente, estamos acostumados a instalar o dispositivo, instalar os
drivers e ver tudo funcionar, mas antigamente as coisas não eram assim
tão simples, de forma que o plug-and-play foi tema de grande destaque.
Tudo começa durante a inicialização do micro. O BIOS envia um sinal de
requisição para todos os periféricos instalados no micro. Um
periférico PnP é capaz de responder ao chamado, permitindo ao BIOS
reconhecer os periféricos PnP instalados. O passo seguinte é criar uma
tabela com todas as interrupções disponíveis e atribuir cada uma a um
dispositivo. O sistema operacional entra em cena logo em seguida,
lendo as informações disponibilizadas pelo BIOS e inicializando os
periféricos de acordo.
As informações sobre a configuração atual da distribuição dos recursos
entre os periféricos é gravada em uma área do CMOS chamada de ESCD.
Tanto o BIOS (durante o POST) quanto o sistema operacional (durante a
inicialização) lêem essa lista e, caso não haja nenhuma mudança no
hardware instalado, mantêm suas configurações. Isso permite que o
sistema operacional (desde que seja compatível com o PnP) possa
alterar as configurações caso necessário. No Windows 95/98, o próprio
usuário pode alterar livremente as configurações do sistema através do
gerenciador de dispositivos, encontrado no ícone sistema, dentro do
painel de controle.
Na maioria das placas-mãe, você encontra a opção "Reset ESCD" ou
"Reset Configuration Data" que, quando ativada, força o BIOS a
atualizar os dados da tabela, descartando as informações anteriores.
Em muitos casos, isso soluciona problemas relacionados à detecção de
periféricos, como, por exemplo, ao substituir a placa de som e
perceber que a nova não ser detectada pelo sistema.
Nos micros atuais, os conflitos de endereços são uma ocorrência
relativamente rara. Na maioria dos casos, problemas de detecção de
periféricos, sobretudo no Linux, estão mais relacionados a problemas
no ACPI, ou à falta de drivers ou suporte por parte dos drivers
existentes.
O ACPI é o responsável não apenas pelo suporte a economia de energia
(incluindo o ajuste dinâmico da freqüência do processador), mas também
pela inicialização de vários periféricos. É comum, por exemplo, que a
placa wireless não seja detectada, ou que você não consiga ativar o
transmissor usando os botões até que instale o driver ou utilitário
fornecido pelo fabricante. No Acer 5043 (e outros modelos similares),
por exemplo, você só consegue ativar o transmissor da placa wireless
depois de instalar o Acer Launch Manager.
Em placas antigas, que ainda possuem slots ISA, existe um complicador
adicional, já que placas legacy ISA (as configuradas via jumper) não
são detectadas pelo BIOS e por isso não entram na tabela de endereços,
o que pode fazer com que os endereços usados por elas sejam atribuídos
a outras placas, causando conflitos, como nos velhos tempos.
Para evitar esse problema, é preciso reservar manualmente os endereços
de IRQ e DMA ocupados por periféricos ISA de legado através da sessão
"PNP/PCI Setup" do Setup. Se, por exemplo, você tiver uma placa de som
não PnP, que esteja configurada para utilizar o IRQ 5 e os canais de
DMA 1 e 5, você deverá reservar os três canais, para que o BIOS não os
atribua a nenhum outro periférico.
O Windows (desde o 95) inclui algumas rotinas que permitem identificar
estes periféricos antigos de maneira indireta, configurando-os e
salvando as configurações no ESCD. A verificação é feita durante a
instalação e através do utilitário "Adicionar novo Hardware". Apesar
de não ser infalível, esse recurso permite diminuir bastante os
conflitos gerados por periféricos antigos.

* Dual-core
Um processador dual-core é um processador de dois núcleos, onde ambos
compartilham a mesma pastilha de silício. Exemplos de processadores
dual-core são o Core 2 Duo e o Athlon X2.
De uma forma geral, aplicativos que dividem a carga de processamento
em vários threads e por isso se beneficiam de um processador dual-core
são aplicativos de edição e compressão de vídeo, renderização 3D,
edição de imagens (Photoshop, Gimp, etc.) e diversos aplicativos de
uso profissional. Aplicativos que trabalham com um único thread e por
isso não se beneficiam de um processador dual-core são aplicativos
office de uma forma geral, navegadores, players de áudio e vídeo e a
maioria dos games.
Note entretanto que o uso de um processador dual-core sempre ajuda
quando você está rodando dois aplicativos pesados simultaneamente.
Pode ser que um determinado game 3D não apresente ganho algum de FPS
ao rodar sobre um processador dual-core, mas sem dúvida o FPS será
mais alto se você resolver comprimir um filme em Divx em segundo plano
enquanto joga.
Nos servidores a coisa muda de figura, pois quase todos os serviços
geram um volume muito grande de threads, de forma que um processador
dual-core oferece sempre um ganho muito grande de desempenho.
Ao contrário do que teríamos ao utilizar dois processadores separados
em SMP, um processador dual-core atual, como o Athlon X2, Pentium D ou
Core 2 Duo não consomem o dobro de energia que as versões single-core.
Isto é possível graças a sistemas de gerenciamento de energia
incluídos no processador, que reduzem a freqüência ou mesmo desativam
completamente o segundo núcleo quando o processador está ocioso. No
caso do Athlon X2, muitos componentes são compartilhados entre os dois
processadores, o que aumenta a economia.
Se comparado com um Athlon 64 4000+ com core San Diego (que também
opera a 2.4 GHz), um Athlon X2 4800+ Toledo (2.4 GHz, 1 MB) consome
cerca de 12 watts a mais enquanto o sistema está ocioso e 24 watts a
mais ao rodar um benchmark. Considerando que o TDP do San Diego é de
89 watts, o aumento não é tão significativo.
Um aplicativo que conseguisse utilizar simultaneamente todo o
processamento de ambos os cores poderia, em teoria, fazer com que o
consumo chegasse a ser, momentaneamente, próximo do dobro, mas em
situações reais isto não acontece com freqüência.
Como de praxe, o uso de um processador dual-core tem seus prós e
contras. O principal benefício de usar um processador dual-core é o
melhor desempenho ao rodar muitos aplicativos pesados simultaneamente.
Se você é do tipo que abre 50 abas do navegador, ouve música, comprime
um DVD, retoca imagens no Photoshop (ou Gimp ;) para o cartaz que está
diagramando no Corel e ainda por cima quer abrir 3 máquinas virtuais
do VMware, tudo ao mesmo tempo, um processador dual-core, acompanhado
por 2 ou 4 GB de memória DDR2 (ou DDR3), é uma necessidade.
Por outro lado, para usuários que rodam um ou dois aplicativos por
vez, que usam o PC predominantemente para games (sem executar outras
tarefas simultaneamente como, por exemplo, deixar o PC comprimindo um
DVD em segundo plano) ou que rodam apenas aplicativos leves, um
processador single-core mais barato, ou com uma freqüência
ligeiramente maior ofereceria uma relação custo-benefício melhor.
Comparando um X2 4800+ (2.4 GHz, 2x 1 MB, core Toledo) com um Athlon
64 single-core 4000+ (2.4 GHz, 1 MB, core San Diego) temos o X2 4800+
ganhando por uma margem de 17% no Winstone 2004 (Content Creation),
41% no SYSMark 2004 (3D Content Creation), 1% no Photoshop 7 e 2% no
Premiere 6.5 (testes do World Bench 2005), 1% no Doom3 (FPS a
1024x768), 2% no Half Life 2 e 3% no Unreal 2004.
Você pode notar que, com exceção do SYSMark 2004, todos os demais
benchmarks e games mostram um ganho de desempenho muito inferior ao
sugerido pelo aumento de 800 pontos no índice de desempenho da AMD.
Isso acontece por que estes testes levam em conta o desempenho ao
executar apenas uma tarefa de cada vez. Como disse, um processador
dual-core traz benefícios consideráveis apenas ao rodar vários
aplicativos simultaneamente.
Rodando um aplicativo por vez, ou rodando apenas benchmarks, existem
até casos em que o 4800+ perde do 4000+ por uma pequena margem (1 ou
2%). É o caso de aplicativos que não conseguem obter nenhum benefício
do segundo core e acabam tendo o desempenho penalizado pelo overhead
de dividir a carga entre os dois.





31/03/2008

31 03 2008

* RAMBUS
Assim como as memórias BEDO, as RDRAM são um tipo proprietário de
memória, que acabou não ganhando popularidade.
Os módulos de memórias Rambus são chamados de "Rambus Inline Memory
Modules" ou RIMMs. Os módulos RIMM são bem semelhantes aos módulos
DIMM, mas em geral eles vêm com uma proteção de metal sobre os chips
de memória, que também serve para facilitar a dissipação de calor, já
que os módulos RIMM aquecem bastante devido à alta freqüência de
operação.
Uma particularidade era a necessidade de instalar módulos terminadores
em todos os slots não populados da placa-mãe, para reduzir o nível de
ruído eletromagnético.
Em 1996 a Intel fechou um acordo com a Rambus Inc., uma então pequena
empresa que desenvolvia um tipo de memória otimizada para sistemas que
precisam de um largo barramento de dados com a memória. As memórias
Rambus foram utilizadas no Nintendo 64 e no Playstation 2, e o plano
era que elas fossem adotadas em larga escala nos PCs, com a ajuda da
Intel. A Rambus Inc. receberia royalties dos fabricantes e a Intel
ficaria com parte do bolo, na forma de incentivos e descontos.
A Intel introduziu o suporte às memórias Rambus a partir do chipset
i820, ainda na época do Pentium III, e continuou tentando empurrar a
tecnologia com o chipset i850, usado na primeira geração de placas
para Pentium 4.
O problema era que o chipset i850 suportava somente memórias Rambus,
sem opção de usar memórias SDRAM ou DDR (que eram novidade na época).
Na época do lançamento do Pentium 4, um módulo RIMM de 64 MB custava US
$ 99, enquanto um módulo de memória PC-133 da mesma capacidade custava
apenas US$ 45. Isto significava gastar US$ 216 (ao comprar 256 MB) a
mais, só de memória, sem contar a diferença de preço do processador
Pentium 4 e da placa-mãe, que na época ainda eram consideravelmente
mais caros.
As memórias Rambus utilizam um barramento de dados de apenas 16 bits
de largura, em oposição aos 64 bits utilizados pelos módulos de
memória SDRAM, suportando em compensação freqüências de barramento de
até 400 MHz com duas transferências por ciclo (como o AGP 2x), o que
na prática equivale a uma freqüência de 800 MHz. Essa organização
lembra um pouco o barramento PCI Express, onde o uso de menos trilhas
de dados permitem a operação a freqüências mais altas.
Trabalhando a 400 MHz com duas transferências por ciclo, sua
velocidade máxima, as memórias Rambus permitem uma banda total de 1.6
gigabytes por segundo. O i850 era capaz de acessar dois módulos
simultaneamente, proporcionando um barramento total de 3.2 GB/s. Essa
é uma marca respeitável, comparável à de um módulo DDR-400, porém
atingida em 2001.
O grande problema era que apesar da boa taxa de transferência, os
módulos trabalhavam com tempos de latência muito altos. Isso
prejudicava muito o desempenho, fazendo com que um Pentium III
espetado numa placa-mãe i820 com um módulo RIMM acabasse sendo mais
lento na maioria das aplicações que um PC simular equipado com
memórias SDRAM PC-133. Mesmo em conjunto com o Pentium 4, que incluía
uma série de otimizações (incluindo o uso de módulos RIMM em pares),
as memórias Rambus falhavam em oferecer algum ganho tangível de
performance em relação às memórias DDR.
Pouca gente comprou as versões iniciais do Pentium 4 e, quem se
arriscou, acabou com um abacaxi nas mãos. Isto obrigou a Intel a
modificar a plataforma, passando a utilizar memórias DDR padrão. A
demora gerou um vácuo, que permitiu que a AMD aumentasse
consideravelmente sua participação no mercado, já que contava com o
Athlon Thunderbird, um processador mais barato e mais eficiente.
No final, as memórias DDR (seguidas pelas DDR2) ganharam a briga,
tornando-se o padrão de memória dominante. Mais uma vez a indústria
rejeitou um padrão proprietário de memória, em favor de um padrão
aberto.

* VLB
Lançado em 93 pela Video Electronics Standards Association (uma
associação dos principais fabricantes de placas de vídeo), o VLB (VESA
Local Bus) é um barramento de expansão, muito mais rápido que o ISA,
EISA ou o MCA.
Inicialmente o VLB (ou VESA, como é chamado por muitos) surgiu como
barramento próprio para a conexão da placa de vídeo. Nesta época, o
Windows 3.11 e os aplicativos gráficos já eram populares, de forma que
existia uma grande demanda por placas de vídeo mais rápidas.
O "rápido" que menciono aqui é a simples capacidade de atualizar a
tela em tempo real enquanto edita uma imagem no Photoshop, não tem
nada a ver com aceleração 3D ou exibição de vídeo em alta resolução,
como temos hoje em dia :) . Além de serem muito lentas, as placas de
vídeo ISA eram limitadas à exibição de apenas 256 cores.
Graças à boa velocidade, o VLB acabou tornando-se o padrão também para
outros periféricos, como controladoras IDE e SCSI. Novamente, existiu
a preocupação de manter compatibilidade com as placas ISA, de forma
que os slots VLB são na verdade uma expansão, onde temos um slot ISA
tradicional, seguido por um segundo conector, que inclui os pinos
adicionais.
Isso rendeu o apelido de "Very Long Bus" (barramento muito comprido ;)
e trouxe uma série de problemas de mal contato, já que se a placa-mãe
não estivesse muito bem presa ao gabinete, a pressão necessária para
encaixar as placas faziam com que a placa envergasse, comprometendo o
encaixe. A grande pressão necessária acabava danificando os contatos
com o tempo, o que, combinada com a oxidação natural, acabava fazendo
com que muitas placas realmente deixassem de funcionar depois de
removidas e reinstaladas algumas vezes.
O VLB é um barramento local, onde os contatos são ligados diretamente
aos pinos do processador. Esse design simples barateava a produção das
placas-mãe, mas fazia com que a utilização do processador fosse
relativamente alta e não fosse possível utilizar mais do que 3 placas
VLB no mesmo micro.
O VLB se tornou rapidamente o padrão de barramento para placas para
micros 486, mas acabou desaparecendo com a introdução do barramento
PCI. Uma curiosidade é que as primeiras placas para micros Pentium (a
primeira geração, que oferecia suporte apenas aos Pentium de 60 e 75
MHz) chegaram a incluir slots VLB, utilizando uma versão adaptada do
barramento.
O VLB funciona na mesma freqüência da placa mãe, ou seja, num 486 DX-2
50, onde a placa mãe funciona a 25 MHz, o VLB funcionará também a
25MHz. E, em uma placa de 486 DX-4 100, que funciona a 33 MHz, o VLB
funcionará também a 33 MHz. Vale lembrar que o VLB é um barramento de
32 bits. As desvantagens do VLB são a falta de suporte a Bus Mastering
e a Plug-and-Play, além de uma alta taxa de utilização do processador
e limitações elétricas, que permitem um máximo de 2 ou 3 slots VLB por
máquina. Isto não chegava a ser uma grande limitação, pois geralmente
eram utilizados apenas uma placa de vídeo e uma placa Super-IDE VLB.

* Athlon XP
O Palomino foi a quarta geração do Athlon, sucessor do Thunderbird.
Ele foi usado nos primeiros modelos do Athlon XP, Mobile Athlon 4 (a
versão mobile, destinada a notebooks) e também do Athlon MP. Quando
chegou a hora de lançar as versões destinadas a PCs domésticos, a AMD
chegou a ameaçar usar o nome "Athlon 4", mas depois mudou de idéia e
resolveu apelar para a marca "Athlon XP". Oficialmente o "XP" vem de
"Extreme Performance", mas na época pareceu óbvio que a idéia era
pegar carona no esforço de marketing da Microsoft feita em torno do
Windows XP.
Ao invés de continuar vendendo o Athlon XP com base na freqüência de
clock, a AMD passou a utilizar um índice de desempenho que comparava o
desempenho do processador com o de um Pentium 4. Foram lançadas no
total 7 versões do Athlon XP baseado no core Palomino, todas
utilizando bus de 133 MHz: 1500+ (1.33 GHz), 1600+ (1.4 GHz), 1700+
(1.46 GHz), 1800+ (1.53 GHz), 1900+ (1.6 GHz), 2000+ (1.66 GHz) e
2100+ (1.73 GHz).
Como você pode notar, a cada aumento de 100 pontos no índice, a AMD
aumentava apenas 66 MHz na freqüência do processador, o que foi
progressivamente minando a credibilidade do índice. O XP 1500+
superava com facilidade um Pentium 4 Willamette de 1.5 GHz, que
operava a uma freqüência apenas 166 MHz maior, mas quando chegou no
2000+, o Willamette passou a ganhar em muitas aplicações. A situação
se tornou mais grave com o lançamento do Northwood, que era até 10%
mais rápido que um Willamette do mesmo clock.
A partir do Athlon XP, a AMD passou a utilizar um novo encapsulamento,
composto de resinas plásticas, gradualmente substituindo o antigo
encapsulamento de cerâmica, usado desde os primeiros chips. Embora o
termo "resinas plásticas" não inspire muita confiança, o
encapsulamento é bastante resistente e permitiu uma precisão muito
maior no posicionamento do núcleo do processador, dos filamentos de
conexão e também dos capacitores responsáveis por estabilizar o
fornecimento elétrico do processador. Tudo isso contribuiu para
permitir o lançamento das versões mais rápidas do Palomino. Alguns
processadores foram fabricados na cor verde e outros na cor marrom,
mas esses são detalhes estéticos que não têm relação com a performance
do processador.
Mais tarde foram lançadas versões do Athlon XP baseadas no core
Thoroughbred e no Barton, até que a linha foi descontinuada, dando
lugar às versões iniciais do Sempron, que passou a ser a linha de
processadores de baixo custo da AMD.





27/03/2008

29 03 2008

* Snapshot
O termo "snapshot" era inicialmente usado com relação a fotos
instantâneas, como as feitas pelas antigas máquina Polaroid.
Mas, atualmente o termo possui diversos significados. Você pode dizer
que tirou um "snapshot" ao tirar um screenshot da tela. Um dos
programas de captura de tela mais usados no Linux é o "ksnapshot",
cujo nome reforça o uso do termo.
Outro significado importante tem relação com as distribuições Linux,
onde um snapshot é uma versão de testes, retirada da árvore de
desenvolvimento para ser testada por usuários interessados em ajudar a
localizar e corrigir bugs, ou testar as novidades da nova versão com
antecedência. O snapshot neste caso é uma "foto instantânea" de como a
futura versão se encontra naquele momento, como todos os problemas e
novidades que possam existir.
Mesmo fora do mundo Linux o termo snapshot é muito usado com relação a
versões de testes de softwares em geral, dando a entender que a versão
é simplesmente uma cópia do repositório em um determinado dia e
horário e não uma versão testada.

* HighMem
Ao utilizar um processador de 32 bits, o Linux oferece suporte nativo
a até 4 GB de memória usando o modo normal de operação do processador
e a até 64 GB usando o PAE. Ou seja, ele simplesmente acompanha o
suporte disponível no hardware, sem nenhuma limitação adicional.
Para melhorar o desempenho do sistema em máquinas antigas, que
utilizam 1 GB de memória ou menos, existe uma terceira opção, onde o
Kernel endereça apenas 1 GB de memória, sendo que 896 MB ficam
disponíveis para os aplicativos e o restante é reservado para uso do
Kernel. Neste modo de operação, o comando "free" vai reportar que
existem apenas 896 MB de memória disponível, mesmo que você possua 1
GB ou mais.
É possível escolher entre as três opções ao compilar o Kernel, na
opção "Processor Type and Features > High Memory Support" (opção
também chamada de "HighMem"). Até por volta de 2005, muitas
distribuições vinham com o suporte a apenas 1 GB ativado por padrão,
mas atualmente a grande maioria utiliza a opção "4 GB". É possível
mudar a opção ao recompilar o Kernel manualmente.
A desvantagem de ativar o suporte a 4 GB é que o sistema ficará um
pouco mais lento em micros com menos de 1 GB de memória (justamente
por isso existe a primeira opção). O suporte a 64 GB só pode ser
ativado caso você esteja usando um processador com suporte ao PAE,
além de uma placa-mãe compatível.
Naturalmente, tudo isso se aplica apenas ao usar uma distribuição com
um Kernel compilado para processadores de 32 bits. Ao usar uma versão
de 64 bits, o Kernel acessa toda a memória disponível, limitado apenas
ao volume de memória suportado pelo chipset ou processador.

* Pentium III
O Pentium III foi o carro chefe da Intel durante um bom tempo, até que
começou a ser definitivamente substituído pelo Pentium 4.
Em toda a história da informática, o Pentium III é um dos
processadores com mais variações. Existem versões que utilizam
barramento de 100 MHz, versões que utilizam barramento de 133 MHz,
versões com 512 KB de cache half-speed (à metade da freqüência do
processador, como no Pentium II), com 256 KB de cache full-speed (na
mesma freqüência do processador, como no Pentium Pro), versões que
utilizam o formato SEPP, versões que utilizam um novo formato, chamado
de FC-PGA, versões que utilizam o core Katmai, versões que utilizam o
core Coppermine (mais avançado), que operam a 2.0v, que operam a
1.65v, que operam a 1.6v, e por aí vai.
Dependendo da versão do processador, será preciso utilizar uma placa
mãe diferente e em alguns casos módulos de memória RAM diferentes.
Nunca a simples escolha de qual processador comprar foi tão confusa.
Para entender todas estas variações, vamos começar estudando cada um
dos novos recursos introduzidos pelo Pentium III, além da própria
evolução deste processador.
As primeiras versões do Pentium III, de 450, 500, 550 e 600 MHz, foram
construídas usando a mesma técnica de fabricação do Pentium II, ou
seja, utilizando o mesmo encaixe slot 1, a mesma tensão de 2.0v, os
mesmos 512 KB de cache L2 à metade da freqüência do processador e o
mesmo cache L1 de 32 KB e barramento de 100 MHz. Em essência, não
temos nada mais do que um Pentium II com instruções SSE. Isto
significa que, em aplicativos que não foram otimizados para as novas
instruções, o desempenho dos processadores desta versão será
rigorosamente o mesmo apresentado por um Pentium II do mesmo clock. A
arquitetura (ou core) utilizada nestes processadores recebe o nome
código de Katmai.
A exceção é a versão de 600 MHz, que devido à maior freqüência de
operação utiliza 2.05v. Vale lembrar que o aumento da voltagem do
processador é um dos procedimentos utilizados para fazer overclock.
Este processador possui exatamente a mesma arquitetura, e aquece bem
mais do que as versões mais lentas(outro sintoma de overclock) o que
me leva a concluir, que o Pentium III Katmai de 600 MHz nada mais é do
que um Pentium III de 550 MHz que vem overclocado de fábrica.
As próximas versões do Pentium III foram as 533B e 600B. Assim como as
anteriores, estas versões utilizam o core Katmai, a diferença é que
enquanto as versões anteriores utilizavam placas mãe com barramento de
100 MHz, as novas versões utilizam placas mãe com barramento de 133
MHz. A versão 533A opera a 4x 133 MHz enquanto a 600A opera a 4.5x 133
MHz.
O barramento de 133 MHz vale apenas para a memória RAM; todos os
demais componentes do micro, como placas de vídeo, HDs etc. continuam
operando à mesma freqüência que a 66 ou 100 MHz. Por exemplo, o
barramento PCI, que é utilizado pelos discos rígidos, placas SCSI e
algumas placas de vídeo, som e modems, opera sempre a 33 MHz,
independentemente da freqüência da placa mãe ser 66 MHz, 100 MHz ou
133 MHz. Na verdade, apenas temos a freqüência da placa mãe dividida
por respectivamente 2, 3 e 4, resultando sempre nos 33 MHz padrão. O
barramento AGP que é utilizado por placas de vídeo AGP opera sempre a
66 MHz, temos então a freqüência da placa mãe dividida por 1, 1.5 ou
2.
Todas as versões seguintes do Pentium III, o que inclui as verões de
650, 667, 700, 733, 750, 800, 850 e 900 MHz; 500E, 550E, 600E, 533EB,
600EB, 800EB além, claro, da versão de 1 GHz, utilizam uma arquitetura
mais avançada, chamada de Coppermine. Esta nova arquitetura traz
vários avanços sobre a Katmai, utilizada nos processadores anteriores.
Para começar, temos transístores bem menores, medindo apenas 0.18
mícron (contra 0.25 do core Katmai). Transístores menores geram menos
calor, o que permite lançar processadores mais rápidos. Enquanto
utilizando o core Katmai, o limite (com overclock e tudo) foi o
Pentium III de 600 MHz, utilizando o core Coppermine foram lançados
processadores de até 1.0 GHz.
Transístores menores também ocupam menos espaço, o que permite incluir
mais componentes no núcleo do processador; chegamos então ao segundo
avanço. Enquanto no Pentium II e no Pentium III core Katmai o cache L2
é soldado na placa de circuito, composto por dois chips separados,
operando à metade da freqüência do processador, no core Coppermine ele
foi movido para dentro do núcleo do processador, como no Celeron.
Isto permite que o cache L2 opere na mesma freqüência do processador,
ao invés de apenas metade, o que melhora bastante o desempenho. O
único porém é que no core Coppermine o cache L2 possui apenas 256 KB,
metade do encontrado nas versões anteriores do PIII. Mas, lembre-se
que com míseros 128 KB de cache L2 full-speed o Celeron consegue bater
um Pentium II e muitas aplicações. Os processadores baseados no core
Coppermine tem o dobro de cache L2 que o Celeron, fazendo com que seu
desempenho literalmente pulverize as versões anteriores do Pentium III
equipadas com cache mais lento.
No Pentium II, o barramento de comunicação entre o núcleo do
processador e o cache L2 possui apenas 64 bits de largura, o que
permite transmitir apenas 8 bytes de dados por ciclo, limitação que se
estende ao core Katmai e também às versões antigas do Celeron.
Não adiantaria tanto ter um cache mais rápido se não fosse possível
transmitir dados ao processador mais rapidamente. Prevendo isto, os
projetistas da Intel ampliaram barramento de comunicação do cache L2
para 256 bits. Isto permite transferir 32 bytes de dados por ciclo, o
quádruplo dos processadores anteriores.
A quarta e última das principais modificações, foi a inclusão do
recurso de "Advanced System Buffering", que consiste em aumentar o
tamanho dos buffers de dados do processador, o que melhora a
capacidade de processamento e permite a ele beneficiar-se de toda a
potência do cache L2.
Devido a todas estas modificações, o Pentium III Coppermine possui
aproximadamente 21 milhões de transístores (a maior parte consumida
pelo cache L2), contra pouco mais de 9.5 milhões do Pentium II e do
Pentium III Katmai.
Em seu curso de desenvolvimento, o Pentium III acabou seguindo o mesmo
caminho do Celeron, tendo seu cache L2 incorporado ao núcleo do
processador. A fim de cortar custos, a Intel resolveu lançar versões
do Pentium III Coppermine no mesmo formato PPGA do Celeron. Por um
lado isto é bom, pois permite uma diminuição de até 15 dólares no
custo final de cada processador, já que não é usada mais a placa de
circuito, mas por outro é ruim, pois nos obriga a comprar um adaptador
para poder encaixar um destes processadores em uma placa mãe slot 1.
No caso do Pentium III Coppermine, o novo encaixe é chamado de FG-PGA.
O problema maior é que, apesar do encaixe ser o mesmo utilizado pelo
Celeron, os requisitos do processador a nível de fornecimento elétrico
são diferentes, já que o Celeron usa voltagem de 2.0v enquanto o
Pentium III Coppermine utiliza 1.6 ou 1.65v dependendo da versão.
Apesar de muitas das placas mãe soquete 370, desenvolvidas para o
Celeron suportarem barramento de 100 MHz, muitas são incompatíveis com
os Coppermine por causa da voltagem diferente.
O Pentium III Coppermine foi produzido tanto em versão FC-PGA quanto
em versão slot 1. Existem adaptadores que permitem instalar um
processador FC-PGA em uma placa slot 1, mas de qualquer modo, é
necessário que a placa suporte processadores Pentium III Coppermine,
senão nada feito.
Existem ainda algumas placas mãe, como a FIC KA-11 e alguns modelos da
PC-Chips que possuem ambos os encaixes, permitindo encaixar qualquer
um dos dois tipos de processador sem necessidade de adaptador.
Naturalmente, apenas um dos encaixes poderá ser usado de cada vez.
Já no final de sua vida útil, o Pentium III deu um último suspiro, na
forma do Pentium III-S, uma família de processadores Pentium III
baseados no core Tualatin, lançados na segunda metade de 2001. O
Pentium III-S era produzido numa arquitetura de 0.13 mícron e contava
com um cache L2 de 512 KB, o dobro dos Pentium III Coppermine.





28/03/2008

29 03 2008

* OS/2
Desde o início da era PC, a Microsoft e a IBM vinham trabalhando
juntas no desenvolvimento do MS-DOS e outros programas para a
plataforma PC. Mas, em 1990, a IBM e a Microsoft se desentenderam e
cada uma ficou com uma parte do trabalho feito, com o qual tentaram
tomar a liderança do mercado de sistemas operacionais.
Alguns brincam que a IBM ficou com a parte que funciona e a Microsoft
com o resto, mas a verdade é que apesar de o OS/2 da IBM ser
tecnicamente superior ao Windows 95, foi o sistema das janelas quem
levou a melhor, pois era mais fácil de usar e contava com a
familiaridade dos usuários com o Windows 3.1, enquanto a IBM derrapava
numa combinação de falta de investimento, falta de apoio aos
desenvolvedores e falta de marketing.
Inicialmente, o OS/2 era incompatível com os softwares desenvolvidos
para o Windows, o que era um grande empecilho, já que o Windows era
muito mais popular entre os desenvolvedores. Depois de muita
negociação, a IBM conseguiu um acordo com a Microsoft, que permitia
que o OS/2 executasse o Windows 3.11 dentro de uma máquina virtual,
oferecendo compatibilidade com seus programas. Entretanto, o tiro
acabou saindo pela culatra, pois desestimulou ainda mais o
desenvolvimento de aplicativos nativos para o OS/2, fazendo com que
ele acabasse concorrendo (em desvantagem) com o Windows em seu próprio
território. Rodar programas Windows dentro do OS/2 era muito mais
problemático e o desempenho era inferior, fazendo com que mais e mais
usuários preferissem usar o Windows diretamente.
Embora esteja oficialmente morto, o OS/2 ainda é utilizado por algumas
empresas e alguns grupos de entusiastas. Em 2005 a Serenity comprou os
direitos sobre o sistema, dando origem ao eComStation, um sistema
comercial disponível no http://www.ecomstation.com/.

* x86-64
O x86-64 é o conjunto de instruções utilizado pelos processadores de
64 bits da AMD e adotado também pela Intel.
Ao invés de repetir o mesmo erro da Intel (com o Itanium), lançando
uma plataforma completamente nova, incompatível com os softwares
atuais, a AMD decidiu desenvolver um projeto mais simples, que
adicionasse suporte a instruções de 64 bits no Athlon (incluindo novos
registradores, suporte a endereços de memória de 64 bits, etc.) sem
entretanto quebrar a compatibilidade com os softwares de 32 bits, nem
prejudicar o desempenho do processador ao executá-los.
Com isso chegaram a um processador de 64 bits, que desfruta de um
número maior de registradores e maior capacidade de endereçamento de
memória, mas que é capaz também de rodar aplicativos de 32 bits
nativamente, sem perda de desempenho.
No x86-64, os 8 registradores x86 foram expandidos de 32 para 64 bits
e foram adicionados 8 novos registradores de 64 bits, o que resultou
em um espaço de armazenamento 4 vezes maior. Foram adicionados ainda 8
novos registradores para instruções SSE ou SSE2, mas neste caso não
houve expansão, já que o SSE utiliza registradores de 128 bits.
No modo "legacy", o processador funciona como um processador x86
comum, executando instruções de 32 bits e utilizando apenas os
registradores padrão. Ao mudar para o modo "long", o processador tem
acesso a 16 registradores de 64 bits cada um e passa a suportar as
instruções e endereços de memória de 64 bits. O chaveamento entre os
dos modos é feito de maneira muito rápida, de forma que o processador
pode inclusive rodar aplicativos de 32 bits dentro de um sistema
operacional de 64 bits, assim como era possível rodar aplicativos DOS
ou Windows 3.x (de 16 bits) dentro do Windows 98 (que já era um
sistema de 32 bits).
O conjunto de instruções da AMD foi batizado de x86-64 (e
posteriormente renomeado para AMD64) e acabou sendo adotado também
pela Intel, na forma do EM64T, um conjunto compatível, incluído sem
muito alarde a partir do Pentium 4 com core Prescott. Pela primeira
vez na história, a AMD ditou o novo padrão e a Intel se viu obrigada a
segui-lo.
Ao utilizar um processador Athlon 64 ou um Intel equipado com o EM64T,
existem 3 possibilidades.
A primeira é continuar usando as versões de 32 bits do Windows XP,
Vista ou Linux, utilizando apenas aplicativos de 32 bits. Neste modo o
processador se beneficia do controlador de memória integrado (no caso
dos AMD) e outras melhorias na arquitetura, mas não utiliza os novos
registradores, nem é capaz de endereçar mais do que 4 GB de memória
nativamente.
A segunda possibilidade é utilizar um sistema operacional de 64 bits,
como as versões de 64 bits do XP, Vista e de diversas distribuições
Linux. Neste caso você tem um pequeno ganho de desempenho devido ao
uso dos novos registradores e o processador passa a suportar mais de 4
GB de memória RAM. A maior parte dos aplicativos não exibe grandes
ganhos de desempenho ao serem recompilados para rodarem em modo 64
bits, mas alguns (sobretudo bancos de dados) podem obter 15 ou mesmo
20% de ganho de desempenho em alguns casos.
A grande dificuldade em utilizar um sistema de 64 bits é encontrar
versões nativas de todos os aplicativos. Chegamos então à terceira
possibilidade, que é rodar um sistema de 64 bits, mas utilizar o modo
de compatibilidade para executar aplicativos de 32 bits quando
necessário. Neste modo, o sistema operacional precisa de mais memória,
pois acaba tendo que manter carregadas muitas bibliotecas e
componentes duplicados, mas o desempenho do processador não é
prejudicado.
Como vimos, os aplicativos de 32 bits podem utilizar apenas 4 GB de
memória (menos na prática, devido à limitações por parte dos sistemas
operacionais). Um efeito colateral interessante é que, em um PC com 8
GB de memória, por exemplo, os aplicativos de 32 bits enxergarão e
utilizarão apenas os primeiros 4 GB. A memória adicional poderá ser
usada pelo sistema operacional e aplicativos de 64 bits, mas não
ajudará muito em casos em que os aplicativos de 32 bits sejam os
aplicativos principais.
Com relação à memória, os processadores AMD64 são capazes de endereçar
até 1 terabyte de memória física, o que corresponde a 40 bits de
endereços. Os 64 bits completos não são usados por questões
relacionadas ao desempenho, já que não existem módulos e placas que
permitam utilizar tanta memória atualmente.
Apesar de o AMD64 de reservar "apenas" 40 bits para o endereçamento da
memória física, estão disponíveis 48 bits de endereçamento para o
virtual address space, o que permite endereçar até 256 terabytes. Esse
limite não tem apenas a ver com o uso de memória swap, mas indica o
volume total de memória que o processador é capaz de endereçar,
incluindo não apenas a memória RAM, mas também a memória da placa de
vídeo (e outros dispositivos) e está relacionado também com o suporte
a arquivos grandes, como bancos de dados. Você poderia imaginar esses
dois limites em ação no caso de um grande servidor, com muita memória
RAM e diversos HDs em RAID, que armazenam um grande banco de dados.
Quando criamos um array RAID, o sistema passa a enxergar um único e
grande disco, ao invés de vários HDs separados, de forma que podemos
usar todo o espaço somado para armazenar um único e gigantesco
arquivo. Com o sistema de endereçamento do AMD64, o nosso hipotético
servidor poderia ter até 1 TB de memória RAM, e um sistema operacional
seria capaz de gerenciar um banco de dados de até 256 TB espalhado
pelos diversos HDs, sem que fosse necessário recorrer a truques ou
gambiarras para aumentar o espaço de endereçamento, como é necessário
ao acessar mais do que 4 GB de RAM, ou gerenciar arquivos maiores do
que 4 GB em um processador de 32 bits.
Quando esse limite se tornar um empecilho, daqui a talvez mais uma
década, novas revisões dos processadores podem estender os limites de
endereçamento 56 ou mesmo 64 bits completos, permitindo gerenciar
volumes virtualmente ilimitados de endereços.
Esta tabela, divulgada pela AMD, mostra os diferentes modos de
operação suportados. Note que, além dos três modos que citei (64-Bit
mode, que corresponde ao modo de 64 bits nativo; Compatibility Mode,
onde são usados aplicativos de 32 bits, sob um sistema operacional de
64 bits e Protected Mode, onde são executados um sistema operacional
e aplicativos de 32 bits) existe suporte também ao modo Virtual-8086 e
ao Real Mode, que são os modos de legado, também suportados pelos
processadores atuais. Neles o processador executa aplicativos de 16
bits, escritos para o DOS ou Windows 3.x.
Tenha em mente que a migração para os aplicativos de 64 bits é similar
à migração dos sistemas operacionais de 16 bits (DOS e Windows 3.x)
para os sistemas de 32 bits que ocorreu a partir de 1995. Ela
acontecerá de maneira gradual, de forma que daqui a 10 anos ainda
estaremos rodando alguns aplicativos de 32, ou mesmo de 16 bits,
utilizando o modo de compatibilidade.

* IPv4
Existem duas versões do protocolo IP: o IPV4 é a versão atual, que
utilizamos na grande maioria das situações, enquanto o IPV6 é a versão
atualizada, que prevê um número brutalmente maior de endereços e deve
começar a se popularizar a partir de 2010 ou 2012, quando os endereços
IPV4 começarem a se esgotar.
No IPV4, os endereço IP são compostos por 4 blocos de 8 bits (32 bits
no total), que são representados através de números de 0 a 255, como
"200.156.23.43" ou "64.245.32.11".
As faixas de endereços começadas com "10", com "192.168" ou com de
"172.16" até "172.31" são reservadas para uso em redes locais e por
isso não são usados na internet. Os roteadores que compõe a grande
rede são configurados para ignorar estes pacotes, de forma que as
inúmeras redes locais que utilizam endereços na faixa
"192.168.0.x" (por exemplo) podem conviver pacificamente.
No caso dos endereços válidos na internet as regras são mais estritas.
A entidade responsável pelo registro e atribuição dos endereços é a
ARIN (http://www.arin.net/). As operadoras, carriers e provedores de
acesso pagam uma taxa anual, que varia de US$ 1.250 a US$ 18.000 (de
acordo com o volume de endereços requisitados) e embutem o custo nos
links revendidos aos clientes.
Ao conectar via ADSL ou oura modalidade de acesso doméstico, você
recebe um único IP válido. Ao alugar um servidor dedicado você recebe
uma faixa com 5 ou mais endereços e, ao alugar um link empresarial
você pode conseguir uma faixa de classe C inteira. Mas, de qualquer
forma, os endereços são definidos "de cima para baixo" de acordo com o
plano ou serviço contratado e você não pode escolher quais endereços
utilizar.
Embora aparentem ser uma coisa só, os endereços IP incluem duas
informações. O endereço da rede e o endereço do host dentro dela. Em
uma rede doméstica, por exemplo, você poderia utilizar os endereços
"192.168.1.1", "192.168.1.2" e "192.168.1.3", onde o "192.168.1." é o
endereço da rede (e por isso não muda) e o último número (1, 2 e 3)
identifica os três micros que fazem parte dela.
Os micros da rede local podem acessar a internet através de um
roteador, que pode ser tanto um servidor com duas placas de rede,
quando um modem ADSL ou outro dispositivo que ofereça a opção de
compartilhar a conexão. Neste caso, o roteador passa a ser o gateway
da rede e utiliza seu endereço IP válido para encaminhar as
requisições feitas pelos micros da rede interna. Este recurso é
chamado de NAT (Network Address Translation).
Endereços de 32 bits permitem cerca de 4 bilhões de endereços
diferentes, quase o suficiente para dar um endereço IP exclusivo para
cada habitante do planeta. O grande problema é que os endereços são
sempre divididos em duas partes, rede e host. Nos endereços de classe
A, o primeiro octeto se refere à rede e os três octetos seguintes
referem-se ao host. Temos apenas 126 faixas de endereços classe A
disponíveis no mundo, dadas a governos, instituições e até mesmo
algumas empresas privadas, como por exemplo a IBM. As faixas de
endereços classe A consomem cerca de metade dos endereços IP
disponíveis, representando um gigantesco desperdício, já que nenhuma
das faixas é completamente utilizada. Será que a IBM utiliza todos os
16 milhões de endereços IP a que tem direito? Certamente não.
Mesmo nos endereços classe B (dois octetos para a rede, dois para o
host, garantindo 65 mil endereços) e nos classe C (três octetos para a
rede e um para o host, ou seja, apenas 256 endereços) o desperdício é
muito grande. Muitas empresas alugam faixas de endereços classe C para
utilizar apenas dois ou três endereços por exemplo.
Para piorar, parte dos endereços estão reservados para as classes D e
E, que jamais foram implementadas. Isto faz com que já haja uma grande
falta de endereços, principalmente os de classe A e B, que já estão
todos ocupados. No ritmo atual, é provável que em poucos anos não
existirão mais endereços disponíveis.
Mais uma séria limitação do protocolo IPv4 é a falta de uma camada de
segurança. Ele foi "desenvolvido para ser usado em redes onde as
pessoas confiam umas nas outras" e não em um ambiente anárquico como a
internet atual. Camadas de autenticação e encriptação precisam ser
adicionadas através de protocolos implantados sobre o TCP/IP, como no
CHAP, SSH e assim por diante.
O problema da falta de endereços pode ser contornada de diversas
formas, como por exemplo através do NAT, onde um único endereço IP
pode ser compartilhado entre vários hosts (em teoria até 16 milhões,
usando um endereço da faixa 10.x.x.x na rede interna). Quase todos já
utilizamos o NAT ao compartilhar a conexão usando o ICQ do Windows, o
IP Masquerading no Linux, ou mesmo mini-distribuições como o Coyote e
o Freesco. A maior limitação do NAT é que os hosts sob a conexão
compartilhada não recebem conexões entrantes, impedindo que os
usuários utilizem programas de compartilhamento de arquivos,
servidores Web ou FTP, muitos jogos multiplayer e assim por diante.
Numa rede pequena ainda é possível redirecionar algumas portas do
servidor para o host que for rodar estas aplicações, mas esta não
seria uma opção para por exemplo um provedor de acesso que resolvesse,
por falta de endereços IP, oferecer conexões NAT para seus clientes.





26/03/2008

26 03 2008

* Voice Coil
Para ler e gravar dados no disco, são usadas cabeças de leitura
eletromagnéticas (heads) que são presas a um braço móvel (arm), o que
permite seu acesso a todo o disco. O braço de leitura é uma peça
triangular, também feita de ligas de alumínio, para que seja ao mesmo
tempo leve e resistente. O mecanismo que movimenta o braço de leitura
é chamado de actuator.
Nos primeiros discos rígidos, eram usados motores de passo para
movimentar os braços e cabeças de leitura. Eles são o mesmo tipo de
motor usado nos drives de disquete, onde ao receber um impulso
elétrico o motor move o braço por uma curta distância, correspondente
ao comprimento de uma trilha. O problema é que eles eram muito
suscetíveis a problemas de desalinhamento e não permitiam densidades
de gravação muito altas.
Os discos contemporâneos (qualquer coisa acima de 80 MB) utilizam um
mecanismo bem mais sofisticado para esta tarefa, composto por um
dispositivo que atua através de atração e repulsão eletromagnética,
sistema chamado de voice coil. Basicamente temos um eletroímã na base
do braço móvel, que permite que a placa controladora o movimente
variando rapidamente a potência e a polaridade do ímã. Apesar de
parecer suspeito à primeira vista, esse sistema é muito mais rápido,
preciso e confiável que os motores de passo. Para você ter uma idéia,
os HDs do início da década de 80, com motores de passo, utilizavam
apenas 300 ou 400 trilhas por polegada, enquanto um Seagate
ST3750640AS (de 750 GB) atual utiliza nada menos do que 145.000.
Para que o HD possa posicionar a cabeça de leitura sobre a área exata
referente à trilha que vai ser lida, existem sinais de feedback
gravados na superfícies do disco, que orientam o posicionamento da
cabeça de leitura. Eles são sinais magnéticos especiais, gravados
durante a fabricação dos discos (a famosa formatação física), que são
protegidos através de instruções de bloqueio incluídas no firmware do
HD contra alteração posterior. Estes sinais eliminam os problemas de
desalinhamento que existiam nos primeiros HDs.

* AT
O PC original, lançado pela IBM em 1980 tinha, em sua versão mais
simples, apenas 16 KB de memória RAM, com direito apenas ao gabinete e
teclado. A partir daí, tudo era opcional, incluindo o monitor (você
podia usar uma TV, embora a qualidade da imagem ficasse ruim), os
drives de disquete e o HD.
Dois anos depois foi lançado o PC XT, que apesar de continuar usando o
8088 de 4.77 MHz, vinha bem mais incrementado, com 256 KB de RAM,
disco rígido de 10 MB, monitor CGA e o MS-DOS 2.0.
O XT se tornou um computador bastante popular e chegou a ser fabricado
no Brasil, durante a reserva de mercado. Enquanto os americanos já
usavam muitos 386, os clones tupiniquins do XT eram a última palavra
em tecnologia aqui no Brasil...
Depois do XT, o próximo passo foi o PC AT (lançado em 1984), já
baseado no Intel 286. Na verdade, o processador 286 foi lançado em
fevereiro de 1982, apenas 6 meses após a IBM ter lançado o seu
primeiro PC, porém demorou até que a IBM conseguisse desenvolver um
computador baseado nele, pois foi preciso desenvolver toda uma nova
arquitetura. Da placa de vídeo ao gabinete, praticamente tudo foi
mudado, o que somado à burocracia e a longos períodos de testes antes
do lançamento, levou mais de 2 anos.
Atualmente, o período de desenvolvimentos dos periféricos é muito mais
curto. Quase sempre quando um novo processador é lançado, já temos
placas-mãe para ele disponíveis quase imediatamente, pois o
desenvolvimento é feito de forma simultânea.
O PC AT vinha com um processador 286 de 6 MHz (depois surgiram versões
mais rápidas, de 8, 12 e até 16 MHz), HD de 10 MB, monitor EGA
(640x350, com 64 cores) e já usava disquetes de 5¼ de 1.2 MB. Como a
memória RAM ainda era um item muito caro, existiam versões com de 256
a 2 MB de RAM. Embora fosse extremamente raro usar mais de 2 MB,
existia a possibilidade de instalar até 16 MB.
O processador 286 trouxe vários avanços sobre o 8088. Ele utilizava
palavras binárias de 16 bits, tanto interna quanto externamente, o que
permitia o uso de periféricos de 16 bits, muito mais avançados do que
os usados no PC original e no XT. O custo dos periféricos desta vez
não chegou a ser um grande obstáculo, pois enquanto o PC AT estava
sendo desenvolvido, eles já podiam ser encontrados com preços mais
acessíveis.
Para manter compatibilidade com os periféricos de 8 bits usados no PC
original e no XT, a IBM desenvolveu os slots ISA de 16 bits, que
permitem usar tanto placas de 8 bits, quanto de 16 bits. As placas de
8 bits são menores e usam apenas a primeira série de pinos do slot,
enquanto as placas de 16 bits usam o slot completo. Devido à sua
popularidade, o barramento ISA continuou sendo usado por muito tempo.
Em 2004 (10 anos depois do lançamento do PC AT) ainda era possível
encontrar placas-mãe novas com slots ISA, embora atualmente eles
estejam extintos.
Além de fazer referência ao "PC AT" lançado pela IBM, o termo "AT" é
usado em relação a diversas tecnologias e padrões introduzidos por
ele, com destaque para o formato "AT" para placas-mãe, onde a placa
media nada menos que 36 x 32 cm. Placas tão grandes acabam sendo caras
de se produzir, de forma que pouco depois, em 1986, foi introduzido o
formato Baby-AT, em que a placa mede apenas 24 x 33 cm.
O termo "AT" é usado também em relação a placas de 386 e 486 que
possuem apenas slots ISA e também a gabinetes antigos (usados em
micros 486, Pentium, MMX e em muitos micros K6-2), anteriores ao
padrão ATX.

* IPX/SPX
Este protocolo de rede, que foi desenvolvido pela Novell, para ser
usado em seu Novell Netware. Como o Netware acabou tornando-se muito
popular, outros sistemas operacionais de rede (incluindo o Windows),
passaram a suportar este protocolo. O IPX/SPX é tão rápido quanto o
TPC/IP (apesar de não ser tão versátil) e suporta roteamento, o que
permite seu uso em redes de médio ou grande porte.
As versões recentes do Novell Netware oferecem a opção de usar o IPX/
SPX ou o TCP/IP, sendo o uso do TCP/IP mais comum, já que é mais fácil
interligar máquinas de várias plataformas à rede.
No Netware, além do módulo principal (instalado no servidor), é
fornecido um módulo cliente, que deve ser instalado em todas as
estações de trabalho. Além da versão principal do Netware, existe a
versão Personal, um sistema de rede ponto a ponto, que novamente roda
sobre o sistema operacional. Esta versão do Netware é bem fácil de
usar, porém nunca foi muito popular, pois o Windows sozinho já permite
a criação de redes ponto a ponto muito facilmente, desde o 3.11.
Atualmente é muito comum utilizar servidores Linux, rodando o Samba,
substituindo servidores Windows NT, 2000 ou 2003 Server. No início de
2003, a Novell comprou a SuSE, uma das maiores distribuições Linux na
Europa e, em seguida, a Ximian, que entre outras coisas desenvolve
soluções de interoperabilidade entre servidores Linux e Windows. Isso
mostra que as futuras soluções da Novell devem ser baseadas em Linux.
Mas, voltando ao assunto principal, é possível usar estações Windows e
Linux como clientes de um servidor Novell. No caso do Windows, é
necessário ter instalado o protocolo IPX/SPX e também um cliente para
redes Netware. No Windows XP, a compatibilidade com o IPX é fornecida
pelo protocolo " NWLink/IPX/SPX/NetBIOS", o mesmo que instalamos para
ativar o suporte ao NetBEUI.
Para instalar o protocolo IPX/SPX no Windows 95/98, abra o ícone de
configuração da rede e use a opção "Adicionar > Protocolo > Microsoft
> Protocolo compatível com IPX/SPX". Para instalar o cliente para
redes Novell no Windows 98, clique em "Adicionar > Cliente > Microsoft
> Cliente para redes NetWare".
Apesar do cliente fornecido com o Windows 98 não ficar devendo muito
em termos de recursos, é preferível usar o cliente da própria Novell,
que traz alguns recursos únicos, além de ser mais rápido. O programa
cliente da Novell acompanha o módulo servidor, mas você também pode
baixá-lo gratuitamente (12 MB) do site da Novell:
http://www.novell.com.br.
Após baixar o arquivo, execute-o para que ele se descompacte
automaticamente e, em seguida, execute o arquivo "setup.exe" para
instalar o cliente. O programa de instalação adicionará o "Cliente
NetWare da Novell" e o "Protocolo IPX de 32 Bits para o NetWare Client
da Novell", que aparecerão na janela de configuração da rede.
O cliente ficará residente na forma de um ícone ao lado do relógio, já
que você depende do programa para ter acesso ao servidor. Como no caso
dos servidores NT, você deverá criar uma conta de usuário no servidor
Novell e logar-se na rede informando o nome de usuário e senha
estabelecidos.
Ao usar clientes Linux, você pode utilizar o NovelClient (com um L
só), que pode ser baixado no:
http://novelclient.sourceforge.net/.





25/03/2008

26 03 2008

* High-k dielectric
Dois recursos bastante enfatizados pela Intel na transição para o
processo de 45 nanômetros (usado na produção do Penryn, sucessor do
Core 2 Duo) são o "high-k dielectric" e o "metal gate electrode",
abreviados como HK e MG.
O high-k dielectric consiste no uso de uma fina camada de um material
baseado no elemento Háfnio (número 72 da tabela periódica) que possui
uma constante dielétrica superior (high-k) ao do dióxido de silício,
tradicionalmente utilizado na camada inferior do pólo central (gate)
de cada transístor.
Esta camada é chamada de gate dieletric e tem a função de separar o
emissor e o coletor, os dois pólos do transístor, evitando que a
corrente flua enquanto o transístor está desligado. Conforme o
transístor fica menor, a camada fica mais fina e torna-se menos
eficiente, fazendo com que cada vez mais energia seja desperdiçada. O
uso do high-k dielectric reduz o problema, permitindo que o
processador opere a freqüências mais altas, consumindo menos energia.
O metal gate electrode consiste em substituir o gate electrode, a
camada superior do pólo central do transístor (que vai logo acima do
gate dieletric) por uma fina camada metálica, que melhora a
condutividade do gate quando o transístor está aberto. Isto reduz o
volume de energia necessária para mudar o estado do transístor,
permite que ele chaveie de forma mais rápida (o que permite que o
processador seja capaz de operar a freqüências mais elevadas) e
permite que trabalhe utilizando uma tensão mais baixa, o que também
ajuda a reduzir o consumo elétrico.
A combinação dos dois recursos é chamada pela Intel de "HK+MG" e serve
para basicamente melhorar a eficiência geral dos transístores,
permitindo que menos corrente passe quando o transístor está fechado e
mais corrente passe quando ele está aberto.
Estima-se que a transição para o processo de 45 manômetros gere uma
redução de até 30% na energia necessária para mudar o estágio dos
transístores e que a combinação do high-k dielectric e o metal gate
electrode torne o chaveamento dos transístores até 20% mais rápido,
além de uma redução de até 80% no gate-leakage (o desperdício de
energia que cresce exponencialmente conforme aumenta a freqüência de
operação do processador), o que representa uma boa vantagem
competitiva para Intel.

* DMA
DMA é abreviação de "Direct Memory Access". O DMA permite que os
periféricos acessem diretamente a memória RAM, sem ocupar o
processador.
Os canais de DMA são utilizados apenas por dispositivos de legado
(placas ISA, portas paralelas e drives de disquete) para transferir
dados diretamente para a memória RAM, reduzindo dessa forma a
utilização do processador.
Existem 8 canais de DMA, numerados de 0 a 7. Os canais de 0 a 3 são
herança do PC original e trabalham a 8 bits, assim como o barramento
externo no processador 8080. Os canais de 4 a 7 foram introduzidos com
o 286 e, acompanhando o barramento de dados do processador, são canais
de 16 bits. Os canais de DMA são relacionados ao barramento ISA e,
justamente por isso, nunca foram introduzidos canais de 32 bits. Em
vez disso, o barramento PCI (seguido pelos demais barramentos
modernos) trouxe o Bus Mastering, um sistema muito mais eficiente e
rápido.
Tipicamente, o canal DMA 2 era reservado para a controladora do drive
de disquetes, o 3 para a porta paralela (quando configurada para
operar em modo ECP), enquanto uma placa de som ISA utilizava os
endereços 1 e 5.
Justamente por serem muito lentos, os canais de DMA caíram em desuso
desde a década de 1990 e continuaram sendo utilizados apenas por
periféricos de legado, como drives de disquete, placas de som ISA e
portas paralelas padrão ECP. Conforme esses periféricos foram caindo
em desuso, os canais de DMA simplesmente deixaram de ser usados,
embora permaneçam disponíveis mesmo nos PCs atuais.

* AGP
AGP é abreviação de "Acelerated Graphics Port".
A idéia central do AGP é ser um barramento rápido, feito sob medida
para o uso das placas 3D de alto desempenho. A versão original do AGP
foi finalizada em 1996, desenvolvida com base nas especificações do
PCI 2.1. Ela operava a 66 MHz, permitindo uma taxa de transferência
teórica de 266 MB/s.
Na época, as placas 3D ainda eram bastante primitivas, de forma que
ainda não existia uma demanda tão grande por um barramento mais
rápido. Por causa disso, o AGP demorou um pouco para se popularizar. O
primeiro chipset com suporte a ele foi o Intel i440LX, lançado no
final de 1997, e a adoção ocorreu de forma gradual durante 1998 e
1999.
O padrão AGP inicial não chegou a ser muito usado, pois em 1998 surgiu
o padrão AGP 2X, que mantém a freqüência de 66 MHz, mas introduz o uso
de duas transferências por ciclo (assim como nas memórias DDR),
dobrando a taxa de transferência.
Em seguida foi introduzido o AGP 4X e o 8X, que realizam,
respectivamente, 4 e 8 transferências por ciclo, atingindo taxas de
transferência teóricas de 1066 e 2133 MB/s.
O desempenho de uma placa 3D é fortemente atrelado à velocidade de
acesso à memória. Mais de 95% das informações que compõem uma cena 3D
de um game atual são texturas e efeitos, que são aplicados sobre os
polígonos. As texturas são imagens 2D, de resoluções variadas que são
"moldadas" sobre objetos, paredes e outros objetos 3D, de forma a
criar um aspecto mais parecido com uma cena real.
A velocidade do barramento AGP é importante quando o processador
precisa transferir grandes volumes de texturas e outros tipos de dados
para a memória da placa de vídeo, quando a memória da placa se esgota
e ela precisa utilizar parte da memória principal como complemento e
também no caso de placas de vídeo onboard, que não possuem memória
dedicada e, justamente por isso, precisam fazer todo o trabalho usando
um trecho reservado da memória principal.
Naturalmente, tudo isso também pode ser feito através do barramento
PCI. O problema é que a baixa velocidade faz com que a queda no
desempenho seja cada vez maior, conforme cresce o desempenho da placa
de vídeo.
Durante muito tempo, fabricantes como a nVidia e a ATI continuaram
oferecendo suas placas também em versão PCI, mas a partir de um certo
ponto, a diferença de desempenho entre as duas versões passou a ser
tamanha que, por mais que ainda existisse uma certa demanda, as placas
PCI foram sumariamente descontinuadas.
Outra vantagem do AGP é que o barramento é reservado unicamente à
placa de vídeo, enquanto os 133 MB/s do barramento PCI são
compartilhados por todas as placas PCI instaladas.
Note que existe uma diferença entre barramento e slot. Uma placa de
vídeo onboard é apenas um chip instalado na placa-mãe, ou mesmo um
componente integrado diretamente ao chipset e não uma "placa"
propriamente dita. Mesmo assim, ela pode ser ligada ao barramento AGP,
utilizando uma conexão interna. É muito comum ainda que a placa-mãe
inclua um chipset de vídeo onboard e, ao mesmo tempo, um slot AGP, que
permite instalar uma placa offboard. Neste caso, entretanto, a placa
onboard é desativada ao instalar uma placa offboard, já que o AGP não
pode ser compartilhado pelas duas placas.
Assim como no caso do barramento PCI, a freqüência do barramento AGP
está atrelada à freqüência de operação da placa-mãe, de forma que, ao
fazer overclock aumentando a freqüência do FSB, a freqüência do
barramento AGP sobe na mesma proporção, o que, a partir de um certo
ponto pode causar problemas de estabilidade. Entretanto, aumentar a
freqüência do AGP não tem uma relação direta com o desempenho da placa
de vídeo, pois as placas atuais utilizam um circuito de clock próprio
e por isso não são influenciadas por mudanças na freqüência do
barramento. Aumentando a freqüência do AGP, melhorando apenas o fluxo
de dados entre a placa de vídeo, memória e processador, o que tem
pouco efeito nas placas atuais, com slots AGP 4X ou 8X.
Além da questão da velocidade, existe também a questão da tensão
utilizada. O padrão AGP 1.0 previa placas AGP 1X e 2X, que utilizam
tensão de 3.3V. O padrão AGP 2.0, finalizado em 1998, introduziu o AGP
4X e a tensão de 1.5V (utilizada pelas placas atuais), quebrando a
compatibilidade com o padrão antigo.
Placas de vídeo que utilizam sinalização de 3.3V possuem o chanfro do
encaixe posicionado ao lado esquerdo, enquanto nas placas que utilizam
1.5V, ele é posicionado à direita.
A maioria das placas AGP fabricadas de 2003 em diante são "universais"
e podem ser utilizadas tanto nas placas-mãe antigas, com slots de
3.3V, quanto nas placas com slots de 1.5V. Elas possuem os dois
chanfros, o que permite que sejam encaixadas em qualquer slot.
A mesma distinção existe no caso das placas-mãe. Placas antigas, que
utilizam slots de 3.3V possuem o chanfro à esquerda, enquanto as
placas com slots de 1.5V utilizam o chanfro posicionado à direita (em
relação aos conectores do painel ATX)
Existem ainda placas com slots AGP universais, em que o slot não
possui chanfro algum e por isso permite a instalação de qualquer
placa. Nesse caso a placa é capaz de detectar a tensão utilizada pela
placa e fornecer a tensão adequada. Elas são mais raras, pois a
necessidade de instalar tanto os circuitos reguladores para 1.5V
quanto para 3.3V, encarece a produção.
Existem ainda o padrão AGP 3.0, utilizado pelas placas AGP 8X (e parte
das 4X), que prevê o uso de sinalização de 0.8V. Nesse caso,
entretanto, a transição foi feita de forma transparente, sem que fosse
quebrada a compatibilidade com as placas antigas. Ao ser instalada em
uma placa-mãe com slot AGP 2.0 (2X ou 4X, 1.5V) a placa de vídeo
funcionará normalmente, utilizando sinalização de 1.5V e o modo de
transferência mais rápido suportado pela placa-mãe. Caso a placa de
vídeo utilize um conector AGP universal, com os dois chanfros,
significa que ela pode (pelo menos em teoria), ser instalada mesmo em
uma placa-mãe antiga, com um slot de 3.3V.
Usei o termo "em teoria", pois existem muitos casos de
incompatibilidades entre placas de vídeo AGP de fabricação mais
recente e placas-mãe antigas (e vice-versa), mesmo em casos em que os
encaixes são compatíveis.
Além dos problemas relacionados a deficiências nos drivers e
incompatibilidade por parte do BIOS, existem problemas relacionados à
alimentação elétrica, onde a placa de vídeo não indica corretamente
qual é a tensão utilizada (fazendo com que a placa-mãe utilize 1.5V
para uma placa que trabalhe com 3.3V, por exemplo) ou que a placa-mãe
não seja capaz de alimentar a placa de vídeo com energia suficiente.
Esse último caso é o mais comum, já que as placas AGP mais recentes
consomem muito mais energia que as antigas.
Embora seja mais recente que o PCI e tenha sido largamente utilizado,
o AGP é atualmente um barramento em vias de extinção, devido à
popularização do PCI-Express. Desde o final de 2006, placas novas com
slots AGP são um item raro, com exceção de algumas placas da PC-Chips,
ECS e Phitronics.

Fonte





20/03/2008

21 03 2008

* Core 2 Duo
O Core 2 Duo é o sucessor do Pentium 4. Ele nasceu como uma evolução
do Pentium-M, que é, por sua vez, uma versão aprimorada do antigo
Pentium III, um processador com menos estágios e menos transístores,
incapaz de atingir freqüências de operação muito altas, mas que, em
compensação, oferecia um desempenho por clock muito superior ao do
Pentium 4.
A idéia era trabalhar para reforçar os pontos fortes do Pentium III e
minimizar seus pontos fracos, produzindo um processador com um
desempenho por ciclo ainda melhor, mas que, ao mesmo tempo, consumisse
menos energia e fosse capaz de operar a freqüências mais altas.
A primeira encarnação do Pentium-M foi o core Banias (lançado em
2003). Muitos defendem que o Banias recebeu tantas melhorias em
relação ao Pentium III, que pode ser considerado um novo projeto em
vez de uma evolução deste. Como neste caso os critérios são
subjetivos, você pode aderir a qualquer uma das duas linhas, como
preferir.
O Banias foi fabricado numa técnica de produção de 0.13 micron, com 64
KB de cache L1 e 1 MB de cache L2 e em versões de até 1.6 GHz. O
barramento com o chipset (o principal ponto fraco do Pentium III) foi
substituído pelo mesmo barramento de 400 MHz utilizado do Pentium 4,
reduzindo o gargalo na conexão com a memória.
O Banias recebeu ainda o reforço das instruções SSE2 e uma versão
aprimorada do SpeedStep, que gerencia dinamicamente o clock, tensão e
componentes internos do processador, desativando os componentes que
não estão em uso e reduzindo a freqüência nos momentos de pouca
atividade, reduzindo bastante o consumo do processador. Um Banias de
1.6 GHz consome 24 watts ao operar na freqüência máxima, mas consome
pouco mais de 4 watts quando ocioso, operando na freqüência mínima.
Junto com o Banias, veio a marca "Centrino", uma jogada de marketing
da Intel, para vender o pacote completo, com o processador, chipset e
placa wireless. Apenas os notebooks com os três componentes podem usar
a marca "Centrino", criando uma certa pressão sobre os fabricantes.
O Banias mostrou ser um processador promissor. Mesmo com o agressivo
sistema de gerenciamento de energia (que causava uma pequena
diminuição no desempenho, mesmo quando o processador operava na
freqüência máxima), o Banias era cerca de 50% mais rápido que um
Pentium 4 Northwood do mesmo clock (embora ficasse longe de superá-lo,
já que operava a freqüências de clock muito mais baixas).
Em 2004 foi lançado o Pentium-M com core Dothan, equipado com 2 MB de
cache L2, melhorias no circuito de branch prediction (que minimiza a
perda de tempo com operações de tomada de decisão), um reforço nas
unidades de execução de inteiros e melhoria no acesso aos
registradores. Combinadas, estas melhorias resultaram num ganho real
de cerca de 8% em relação a um Banias do mesmo clock.
O Pentium M com core Dothan atingiu 2.0 GHz (Pentium M 755), com um
consumo de apenas 21 watts, menos que o Banias de 1.5 GHz.
Como de praxe, foi lançada também uma versão do Celeron baseada no
Dothan, o Celeron-M, que se tornou bastante comum nos notebooks de
baixo custo. Ele é castrado de duas formas, a fim de não concorrer
diretamente com o Pentium-M: vem com metade do cache e com o suporte
ao gerenciamento de energia desativado, fazendo com que o processador
trabalhe sempre na freqüência máxima, desperdiçando energia e
reduzindo a autonomia das baterias.
Aproveitando o baixo consumo do Dothan, a Intel desenvolveu o Yonah,
um processador dual-core para notebooks, produzido usando uma técnica
de 0.065 micron. O Yonah original passou a ser vendido sobre a marca
"Core Duo", enquanto uma versão de baixo custo, com um único core
assumiu a marca "Core Solo".
Assim como o Dothan, o Yonah possui 2 MB de cache L2. Entretanto, em
vez de ser dividido entre os dois cores (1 MB para cada um), o cache é
compartilhado, permitindo que ambos os cores acessem os mesmos dados,
evitando assim duplicação de informações e desperdício de espaço. Nos
momentos em que o processador está parcialmente ocioso, o segundo core
pode ser completamente desligado (para economizar energia), deixando o
primeiro core com um cache de 2 MB inteiramente para si.
A desvantagem do cache compartilhado é que ele aumenta o tempo de
latência: são necessários 14 ciclos para acessar alguma informação no
L2 do Yonah, contra 10 ciclos do Dothan. Apesar disso, o Yonah possui
dois núcleos, o que acaba compensando a diferença e proporcionando um
bom ganho em relação ao Dothan. Outro pequeno ganho é proporcionado
pela inclusão das instruções SSE3.
Um processador dual core melhora bastante a responsividade do sistema
ao executar várias tarefas simultaneamente, já que os processos podem
ser divididos entre os dois cores, porém faz pouca diferença ao rodar
aplicativos leves. Porém, hoje em dia é comum deixarmos muitos
programas abertos simultaneamente, sem falar nos processos em
background, o que faz com que um processador dual-core realmente
proporcione uma melhora significativa, embora a maioria dos benchmarks
não mostrem isso, já que simulam o uso de um único aplicativo.
O Yonah inclui uma versão atualizada do sistema gerenciamento de
energia introduzido no Banias, que desliga partes do processador
ociosas, mantendo apenas um dos cores ativos em momentos de pouca
atividade. Isso faz com que o consumo médio de um Core Duo, em tarefas
leves, não seja muito diferente de um Core Solo do mesmo clock, o que
acaba juntando o melhor dos dois mundos.
Ao executar tarefas pesadas, um Core Duo de 2.0 GHz consome 31 watts,
contra 21 watts do Dothan do mesmo clock. Ou seja, mesmo com os dois
cores ativos, o consumo aumenta menos de 50%, muito longe de dobrar,
como seria de se esperar.
Apesar de possuir um desempenho por ciclo de clock muito superior ao
do Pentium 4 e do Pentium D, superando-os em muitas aplicações, o
Yonah era um processador mobile e por isso era limitado a freqüências
de operação relativamente baixas.
Surgiu então o Conroe, uma versão aperfeiçoada do Yonah, com foco no
uso em desktops, que deu origem às primeiras versões do Core 2 Duo,
lançadas em junho de 2006. Embora seja um chip radicalmente diferente,
ele é produzido utilizando a mesma técnica de 0.065 micron utilizada
na produção do Cedar Mill e do Presler e utiliza o mesmo
encapsulamento que eles. Outra similaridade com o Pentium D é o uso do
mesmo barramento de dados, o que permitiu que o Conroe continuasse
utilizando o soquete LGA775, introduzido em 2004.
Praticamente todas as placas soquete 775 produzidas a partir de 2006
oferecem suporte ao Conroe, embora muitas precisem de um upgrade de
BIOS. O grande problema são as placas antigas, que incluem quase todas
as placas produzidas em 2004 e 2005 e parte das placas produzidas nos
primeiros meses de 2006.
O Core 2 Duo precisa de uma placa com um regulador de tensão
compatível com a especificação VRM 11, que foi finalizada apenas em
2006. Sem um regulador de tensão compatível, a placa não tem como
gerar as tensões utilizadas pelo processador e acaba sendo
incompatível, mesmo que utilize um chipset compatível e um BIOS capaz
de reconhecer corretamente o processador.
Todos os Core 2 Duo utilizam o soquete 775, sem nenhum tipo de
compatibilidade com as antigas placas soquete 478, que ficam limitadas
aos Pentium 4 e Celeron D.
O Conroe não inclui nenhum tipo de controlador de memória integrado.
Essa continua sendo uma exclusividade do Athlon 64 e sua principal
arma, que permite reduzir de forma substancial o tempo de acesso à
memória, ajudando assim a reduzir a pressão sobre os caches. O Athlon
64 também possui 128 KB de cache L1 (64k dados + 64k instruções), o
dobro do Conroe, que possui apenas 64KB (dividido em dois blocos de 32
KB, para dados e instruções).

* 386
Em outubro de 1985 a Intel lançou o 386, que marcou o início dos
tempos modernos. Ele trouxe vários recursos novos. Para começar, o 386
trabalha tanto interna quanto externamente com palavras de 32 bits e é
capaz de acessar a memória usando um barramento de 32 bits, permitindo
uma transferência de dados duas vezes maior. Como o 386 pode trabalhar
com palavras binárias de 32 bits, é possível acessar até 4 GB de
memória (2 elevado a 32ª potência), mesmo sem usar a segmentação de
endereços, como no 8088.
Assim como o 286, o 386 continua possuindo os dois modos de operação.
A diferença é que no 386 é possível alternar entre o modo real e o
modo protegido livremente. Os programas que rodavam sobre DOS podiam
chavear o processador para o modo protegido, para se beneficiarem de
suas vantagens e voltarem ao modo real sempre que precisavam usar
alguma sub-rotina do DOS, de maneira transparente ao usuário. Nesse
caso, era usado um programa de DPMI ("DOS Protected Mode Interface",
ou "interface DOS de modo protegido") para fazer o chaveamento entre
os dois modos.
Toda vez que o programa precisava usar alguma sub-rotina do DOS, ele
passava o comando ao chaveador e ficava esperando. O chaveador, por
sua vez, colocava o processador em modo real, executava o comando,
chaveava o processador para o modo protegido e entregava o resultado
ao aplicativo, que continuava trabalhando como se nada tivesse
acontecido. Um bom exemplo de programa de DPMI é o DOS4GW, que é usado
por muitos jogos antigos que rodam sobre o MS-DOS, como o DOOM, Sim
City 2000 e vários emuladores de videogames.
O esquema de chaveamento também era utilizado pelo Windows 3.x, que
incluía todas as rotinas necessárias, dispensando qualquer programa de
DPMI. O Windows 95/98 também pode chavear para o modo real caso
precise carregar algum driver de dispositivo de modo real. No Windows
XP os programas DOS passaram a ser executados dentro de um emulador
(ao invés de nativamente), o que reduziu a compatibilidade do sistema
com os aplicativos MS-DOS.
Ter um processador 386 é o requisito mínimo para rodar qualquer
sistema operacional moderno. Com um 386, memória RAM e espaço em disco
suficiente, você pode rodar o Windows 95 e aplicativos, embora bem
lentamente devido à pouca potência do processador. Você pode também
instalar distribuições Linux antigas e (usando algum truque para
burlar a detecção da configuração mínima ao instalar o sistema) até
mesmo instalar o Windows 98.
Com um simples 286, no máximo você poderia rodar o DOS e aplicativos
mais simples, que operassem em modo real. Também era possível rodar o
Windows 3.0, porém em modo "Standard", onde era possível acessar todos
os 16 MB de memória permitidos pelo 286, mas sem memória virtual nem
multitarefa.

* Formatação
A formatação física consiste na divisão dos discos magnéticos do HD
(ou outro dispositivo de armazenamento) em trilhas, setores e
cilindros e são gravadas as marcações servo, que permitem que a placa
lógica posicione corretamente as cabeças de leitura. Nos HDs atuais, a
formatação física é feita em fábrica, durante a fabricação dos discos.
O processo envolve o uso de máquinas especiais e, apenas para
garantir, restrições são adicionadas no firmware do drive, para que a
placa lógica seja realmente impedida de fazer qualquer modificação nas
áreas reservadas. Graças a isso, é impossível reformatar fisicamente
um drive atual, independentemente do software usado.
Em seguida, temos a formatação lógica, que adiciona as estruturas
utilizadas pelo sistema operacional. Ao contrário da formatação
física, ela é feita via software e pode ser refeita quantas vezes você
quiser. O único problema é que, ao reformatar o HD, você perde o
acesso aos dados armazenados, embora ainda seja possível recuperá-los
usando as ferramentas apropriadas.
Chegamos então ao sistema de arquivos, que pode ser definido como o
conjunto de estruturas lógicas que permitem ao sistema operacional
organizar e otimizar o acesso ao HD. Conforme cresce a capacidade dos
discos e aumenta o volume de arquivos e acessos, esta tarefa torna-se
mais e mais complicada, exigindo o uso de sistemas de arquivos cada
vez mais complexos e robustos.
Existem diversos sistemas de arquivos diferentes, que vão desde
sistemas simples como o FAT16, que utilizamos em cartões de memória,
até sistemas como o NTFS, EXT3 e ReiserFS, que incorporam recursos
muito mais avançados.
A formatação do HD é feita em duas etapas. A primeira é o
particionamento, onde você define em quantas partições o HD será
dividido e o tamanho de cada uma. Mesmo que você não pretenda instalar
dois sistemas em dual boot, é sempre interessante dividir o HD em duas
partições, uma menor, para o sistema operacional, e outra maior,
englobando o restante do disco para armazenar seus arquivos. Com isso,
você pode reinstalar o sistema quantas vezes precisar, sem o risco de
perder junto todos os seus arquivos.
Podemos ter um total de 4 partições primárias ou três partições
primárias e mais uma partição estendida, que pode englobar até 255
partições lógicas. É justamente a partição lógica que permite a nós
dividir o HD em mais de 4 partições.
Esta limitação das 4 partições primárias é uma limitação que existe
desde o primeiro PC, lançado em 1981. Os projetistas que escreveram o
BIOS para ele precisavam economizar memória e chegaram à conclusão que
2 bits (4 combinações) para o endereço das partições seriam
suficientes, pois na época os HDs mais vendidos tinham apenas 5 MB e
só existia um sistema operacional para PCs (o MS-DOS), de forma que
era raro alguém precisar criar mais de uma partição. As coisas mudaram
"um pouco" de lá pra cá, mas infelizmente esta limitação continua até
os dias de hoje.
Para amenizar o problema, foi adicionada a possibilidade de criar
partições lógicas. Em vez de criar 4 partições primárias e ficar sem
endereços para criar novas partições, você cria uma "partição
estendida", que é uma espécie de container, que permite criar mais
partições. A partição estendida contém uma área extra de
endereçamento, que permite endereçar as 255 partições lógicas. É
possível criar até 4 partições estendidas, de forma que (em teoria) é
possível dividir o HD em até 1020 partições.
Digamos que você queira particionar um HD de 160 GB para instalar
Windows e Linux em dual boot, deixando uma partição de 20 GB para o
Windows, uma partição de 20 GB para o Linux, uma partição de 1 GB para
swap (do Linux) e uma partição maior, englobando os 119 GB restantes
para guardar seus arquivos.
Como precisamos de 4 partições no total, seria possível criar
diretamente 4 partições primárias, mas neste caso você ficaria sem
endereços e perderia a possibilidade de criar novas partições mais
tarde, caso resolvesse testar uma outra distribuição, por exemplo.
Ao invés disso, você poderia começar criando a partição de 20 GB do
Windows como primária (é sempre recomendável instalar o Windows na
primeira partição do HD e em uma partição primária, devido às
particularidades do sistema) e em seguida criar uma partição
estendida, englobando todo o resto do espaço, criando as demais
partições como partições lógicas dentro dela.
Do ponto de vista do sistema operacional, cada partição é uma unidade
separada, quase como se houvessem dois ou três discos rígidos
instalados na máquina. Cada partição possui seu próprio diretório raiz
e sua própria FAT. As informações sobre o número de partições, sua
localização no disco, e o espaço ocupado por cada uma, são armazenadas
na tabela de partição, que compartilha o primeiro setor do disco com o
setor de boot.
Em seguida, temos a formatação propriamente dita, onde as estruturas
do sistema de arquivos são finalmente gravadas na partição. Na maioria
dos casos, o próprio programa de particionamento se encarrega de
formatar a partição usando o sistema de arquivos escolhido, mas em
outros temos dois programas diferentes, como no caso do fdisk e do
format, usados no Windows 98.
No mundo Windows, temos apenas três sistemas de arquivos: FAT16, FAT32
e NTFS. O FAT16 é o mais antigo, usado desde os tempos do MS-DOS,
enquanto o NTFS é o mais complexo e atual. Apesar disso, temos uma
variedade muito grande de sistemas de arquivos diferentes no Linux (e
outros sistemas Unix), que incluem o EXT2, EXT3, ReiserFS, XFS, JFS e
muitos outros. Para quem usa apenas o Windows, estes sistemas podem
parecer exóticos, mas eles são velhos conhecidos de quem trabalha com
servidores, já que neles o Linux é que é o sistema mais popular.





19/03/2008

19 03 2008

* DNS
Domain Name System. São servidores que convertem URLs nos endereços IP
dos servidores. Ao digitar http://www.guiadohardware.net no Browser
por exemplo, seu PC enviará a requisição ao servidor DNS do seu
provedor que retornará o endereço IP do servidor do site para que seu
PC possa finalmente acessá-lo. Este serviço é apenas um facilitador,
mas é essencial para a existência da Web como a conhecemos. Sem os
servidores DNS seria necessário decorar os endereços IP de todos os
sites que desejasse visitar.
Memorizar os 4 números de um endereço IP é muito mais simples do que
memorizar o endereço binário. Mas, mesmo assim, fora os endereços
usados na sua rede interna, é complicado sair decorando um monte de
endereços diferentes.
O DNS (domain name system) permite usar nomes amigáveis em vez de
endereços IP para acessar servidores, um recurso básico que existe
praticamente desde os primórdios da internet. Quando você se conecta à
internet e acessa o endereço http://www.guiadohardware.net, é um
servidor DNS que converte o "nome fantasia" no endereço IP real do
servidor, permitindo que seu micro possa acessar o site.
Para tanto, o servidor DNS mantém uma tabela com todos os nomes
fantasia, relacionados com os respectivos endereços IP. A maior
dificuldade em manter um servidor DNS é justamente manter esta tabela
atualizada, pois o serviço tem que ser feito manualmente. Dentro da
internet, temos várias instituições que cuidam dessa tarefa. No
Brasil, por exemplo, temos a FAPESP. Para registrar um domínio é
preciso fornecer à FAPESP o endereço IP real do servidor onde a página
ficará hospedada. A FAPESP cobra uma taxa de manutenção anual de R$ 30
por esse serviço. Servidores DNS também são muito usados em intranets,
para tornar os endereços mais amigáveis e fáceis de guardar.
Faz parte da configuração da rede informar os endereços DNS do
provedor (ou qualquer outro servidor que você tenha acesso), que é
para quem seu micro irá perguntar sempre que você tentar acessar
qualquer coisa usando um nome de domínio e não um endereço IP. O jeito
mais fácil de conseguir os endereços do provedor é simplesmente ligar
para o suporte e perguntar.
O ideal é informar dois endereços, assim se o primeiro estiver fora do
ar, você continua acessando através do segundo. Também funciona com um
endereço só, mas você perde a redundância. Exemplos de endereços de
servidores DNS são: 200.204.0.10 e 200.204.0.138.

* Aterramento
O aterramento é um fator importante, mas freqüentemente esquecido. O
fio terra funciona como uma rota de fuga para picos de tensão
provenientes da rede elétrica. A eletricidade flui de uma forma
similar à água: vai sempre pelo caminho mais fácil. Sem ter para onde
ir, um raio vai torrar o estabilizador, a fonte de alimentação e, com
um pouco mais de azar, a placa-mãe e o resto do micro. O fio terra
evita isso, permitindo que a eletricidade escoe por um caminho mais
fácil, deixando todo o equipamento intacto.
O fio terra é simplesmente uma barra de cobre com dois a três metros
de comprimento, que é cravada no solo, no meio de um buraco de 20 cm
de largura, preenchido com sal grosso e carvão. Naturalmente, instalar
o terra é trabalho para o eletricista, já que um aterramento mal feito
pode ser mais prejudicial que não ter aterramento algum. Não acredite
em crendices como usar um prego fincado na parede ou um cano metálico
como aterramento.
Sem o terra, o filtro de linha ou estabilizador perde grande parte de
sua função, tornando-se mais um componente decorativo, que vai ser
torrado junto com o resto do equipamento, do que uma proteção real.
Nas grandes cidades, é relativamente raro que os micros realmente
queimem por causa de raios, pois os transformadores e disjuntores
oferecem uma proteção razoável. Mas, pequenos picos de tensão são
responsáveis por pequenos danos nos pentes de memória e outros
componentes sensíveis, danos que se acumulam, comprometendo a
estabilidade e abreviando a vida útil do equipamento.
A longo prazo, o investimento na instalação do terra e melhorias na
instalação elétrica acabam se pagando com juros, principalmente se
você tem mais de um micro.

* FPGA
A maior parte do custo de um processador ou chip qualquer está em seu
desenvolvimento. Mesmo um microcontrolador relativamente simples pode
consumir vários milhões para ser desenvolvido. Entretanto, o custo de
produção por unidade é relativamente baixo, de forma que os chips mais
vendidos acabam tendo o custo inicial amortizado e passam a ser cada
vez mais baratos.
Muitos microcontroladores podem ser conectados a dispositivos
analógicos, permitindo o uso de sensores diversos. Isso permite a
criação de dispositivos simples, que monitoram temperatura, umidade,
intensidade da luz, aceleração, campos magnéticos e assim por diante,
executando ações predefinidas em caso de mudanças, como ligar o ar
condicionado, abrir ou fechar as persianas, ou mesmo disparar o air
bag do seu carro em caso de colisão.
Para aplicações em que um chip personalizado é essencial, existe ainda
a opção de usar chips programáveis, chamados de FPGAs (field-
programmable gate arrays) ou, mais raramente, de LCAs (logic-cell
arrays). Como o nome sugere, eles são chips compostos por um enorme
número de chaves programáveis, que podem ser configurados para simular
o comportamento de qualquer outro circuito.
Um único FPGA pode simular não apenas um processador simples, mas
também outros circuitos de apoio, como o controlador de vídeo, uma
interface serial e assim por diante. Os modelos recentes incluem
inclusive uma pequena quantidade de memória RAM e circuitos de apoio,
de forma que você pode ter um sistema completo usando apenas um chip
FPGA previamente programado, um chip de memória EPROM (ou memória
flash) com o software, a placa de circuito com as trilhas e conectores
e uma bateria ou outra fonte de energia.
Os FPGAs são naturalmente muito mais caros que chips produzidos em
série, mas são uma opção em situações em que são necessárias apenas
algumas centenas de unidades de um design exclusivo. Imagine o caso do
ramo da automação industrial, por exemplo.
Eles são também o caminho para projetos artesanais, que são a nova
onda entre quem gosta de eletrônica ou está cursando engenharia da
computação. Um bom site dedicado ao assunto é o http://www.fpga.ch/,
que disponibiliza softwares, layouts de placas e até mesmo projetos
prontos, como um que reproduz uma máquina de arcade antiga, rodando
Pac-Man ou Galaga.
Outro bom site é o http://www.fpga4fun.com, que inclui uma grande
quantidade de informações e alguns projetos de exemplo. Os componentes
necessários para construir os projetos podem ser comprados facilmente
pela web, basta ter um cartão internacional ou uma conta no PayPal.





18/03/2008

18 03 2008

VFAT
O VFAT (Virtual File Allocation Table) é uma extensão para os sistemas
de arquivos FAT16 e FAT32 o incluída a partir do Windows 95 e
suportado também no Linux e outros sistemas.
Inicialmente, o sistema FAT possuía uma grave limitação quanto ao
tamanho dos nomes de arquivos, que não podiam ter mais que 11
caracteres, sendo 8 para o nome do arquivo e mais 3 para a extensão,
como em "formular.doc". O limite de apenas 8 caracteres era um grande
inconveniente para os usuários do MS-DOS. O "Boletim da 8a reunião
anual de diretoria", por exemplo, teria de ser gravado na forma de
algo como "8reandir.doc".
Através do VFAT, arquivos com nomes longos são gravados no diretório
raiz respeitando o formato 8.3 (oito letras e uma extensão de até 3
caracteres), sendo o nome verdadeiro armazenado numa área reservada.
Se tivéssemos dois arquivos, chamados de "Reunião anual de 1998" e
"Reunião anual de 1999", por exemplo, teríamos gravados no diretório
raiz "Reunia~1" e "Reunia~2". Se o disco fosse lido a partir do DOS, o
sistema leria apenas este nome simplificado. Lendo o disco através do
Windows, é possível acessar as áreas ocultas do VFAT e ver os nomes
completos dos arquivos. Isso permitiu que a Microsoft derrubasse a
limitação, sem com isso quebrar a compatibilidade com os softwares
antigos.

* ARP
Dentro da rede local, os pacotes são transformados em frames, onde são
endereçados ao endereço MAC da placa de rede destino e não ao endereço
IP. Acontece que, inicialmente, o sistema não sabe quais são os
endereços MAC das placas dos outros micros da rede local, sabe apenas
os endereços IP que deve acessar.
O ARP (Address Resolution Protocol) faz compania ao IP e ao ICMP na
camada 3 do modelo OSI, oferecendo justamente uma forma simples de
descobrir o endereço MAC de um determinado host, a partir do seu
endereço IP. A estação manda um pacote de broadcast (chamado "ARP
Request"), contendo o endereço IP do host destino e ele responde com
seu endereço MAC. Como os pacotes de broadcast são custosos em termos
de banda da rede, cada estação mantém um cache com os endereços
conhecidos.
Naturalmente, isso é feito de forma transparente. É mais um detalhe
técnico com o qual você não precisa se preocupar se quer apenas usar a
rede, mas que é interessante estudar quando está interessado em
entender seu funcionamento. Você pode verificar o cache de endereços
ARP do seu micro (no Linux) usando o comando "arp":
$ arp
Address HWtype HWaddress Flags Mask Iface
192.168.1.254 ether 00:30:CD:03:CD:D2 C eth0
192.168.1.23 ether 00:11:D8:56:62:76 C eth0
192.168.1.56 ether 00:11:D8:57:45:C3 C eth0
Existe também o "RARP" (reverse ARP), que tem a função oposta:
contatar um host da rede quando o endereço MAC é conhecido, mas o
endereço IP não. Embora menos usado, o RARP também é importante, pois
ele é usado quando uma estação precisa obter sua configuração de rede
via DHCP.
Ao receber o pacote de broadcast enviado pela estação, o servidor DHCP
sabe apenas o endereço MAC da estação e não seu endereço IP (que
afinal ainda não foi definido). Ele é capaz de responder à solicitação
graças ao RARP. Sem ele, não teríamos DHCP :) .
Muitas distribuições Linux incluem o "arping", um pequeno utilitário
que utiliza o ARP ao invés do ping para descobrir se outras máquinas
da rede local estão online. A vantagem é que mesmo máquinas protegidas
por firewall, ou configuradas para não responder pings respondem a
pacotes ARP, fazendo com que ele seja mais uma ferramenta interessante
na hora de diagnosticar problemas na rede.

* Upgrade de BIOS
Como todo software, o BIOS possui bugs, muitos por sinal. De tempos em
tempos, os fabricantes disponibilizam versões atualizadas, corrigindo
problemas, adicionando compatibilidade com novos processadores (e
outros componentes) e, em alguns casos, adicionando novas opções de
configuração no Setup. É muito comum que você precise atualizar o BIOS
da placa para que ela funcione em conjunto com novos processadores, de
fabricação mais recente que a placa-mãe.
Atualizar o BIOS consiste em dar boot através de um disquete ou CD-
ROM, contendo o software que faz a gravação, indicar a localização do
arquivo com a nova imagem e deixar que ele regrave a memória Flash com
o novo código.
O primeiro passo é visitar a área de suporte ou downloads do site do
fabricante e procurar por atualizações para a sua placa-mãe. Se você
usa Windows, aproveite para verificar se não estão disponíveis novas
versões dos drivers, que também podem corrigir problemas e adicionar
novos recursos.
Por exemplo, uma Asus K8N4-E SE, que testei certa vez, tinha um
problema estranho com a placa de rede, que parava de funcionar
aleatoriamente depois de algumas horas de uso contínuo, que foi
solucionado com a atualização do BIOS da versão 0106 para a 0110.
Para baixar o arquivo, acessei a área de download do site da Asus e,
no menu de busca por atualizações, selecionei as opções "Motherboard >
Socket 754 > K8N4-E SE > BIOS", chegando ao arquivo.
Muitos fabricantes ainda disponibilizam disquetes de boot, contendo
uma versão reduzida do FreeDOS ou MS-DOS, mas muitos já passaram a
disponibilizar CDs de boot (basta gravar a imagem .iso usando o Nero,
K3B ou outro programa de gravação e dar boot), o que elimina a
necessidade de ter que instalar um drive de disquetes na máquina só
para poder atualizar o BIOS.
Uma idéia nova, que foi inaugurada pela Asus e vem sendo adotada por
cada vez mais fabricantes, é incluir o utilitário de atualização
diretamente no próprio BIOS. Nesse caso, você só precisa pressionar
uma combinação de teclas durante o boot e indicar a localização do
arquivo de atualização. Na maioria das placas, ele precisa ser gravado
num disquete ou CD-ROM (você precisa queimar um CD, colocando o
arquivo no diretório raiz), mas algumas já suportam também o uso de
pendrives e cartões de memória instalados com a ajuda de um adaptador
USB.
Na maioria dos casos, você pode acessar o utilitário de atualização
pressionando ALT+F2 durante a contagem de memória. Em muitas placas, a
opção também fica disponível através do Setup. Nas placas da Asus, por
exemplo, ela fica dentro do menu "Tools". Dentro do programa, basta
indicar o arquivo a ser gravado. Eles geralmente possuem em torno de
512 KB e utilizam a extensão ".BIN" ou ".ROM":
Atualizar o BIOS é sempre um procedimento potencialmente perigoso, já
que sem ele a placa não funciona. Na grande maioria dos casos, o
programa também oferece a opção de salvar um backup do BIOS atual
antes de fazer a atualização. Esse é um passo importante, pois se algo
sair errado, ou você tentar gravar uma atualização para um modelo de
placa diferente, ainda restará a opção de reverter o upgrade,
regravando o backup da versão antiga.
A maioria das placas atuais incorpora sistemas de proteção, que
protegem áreas essenciais do BIOS, de forma que, mesmo que acabe a
energia no meio da atualização, ou você tente gravar o arquivo errado,
a placa ainda preservará as funções necessárias para que você consiga
reabrir o programa de gravação e terminar o serviço. Em alguns casos,
a placa chega a vir com um "BIOS de emergência", um chip extra, com
uma cópia do BIOS original, que você pode instalar na placa em caso de
problemas.
Placas antigas não possuem essas camadas de proteção, de forma que um
upgrade malsucedido podia realmente inutilizar a placa. Nesses casos,
a solução era remover o chip e levá-lo a alguém que tivesse um
gravador de EEPROM. Depois de regravado, o chip era reinstalado na
placa e tudo voltava ao normal. Ou seja, mesmo nesses casos, a placa
não era realmente danificada, ficava apenas "fora de serviço".
Um truque muito usado era utilizar uma placa-mãe igual, ou pelo menos
de modelo similar, para regravar o BIOS da placa danificada. Nesses
casos, você dava boot com o disquete ou CD de atualização (na placa
boa), removia o chip com o BIOS e instalava no lugar o chip da placa
danificada (com o micro ligado), dando prosseguimento ao processo de
regravação. Dessa forma, você usava a placa "boa" para regravar o BIOS
da placa "ruim". Naturalmente, a troca precisava ser feita com todo o
cuidado, já que um curto nos contatos podia inutilizar a placa-mãe.
Concluindo, existem também programas de gravação para Windows, que são
incluídos nos CDs de drivers de muitas placas. Eles são mais fáceis de
usar, mas fazer a atualização através deles é considerado menos
seguro, já que, dentro do Windows e com outros programas e serviços
rodando, a possibilidade de algo inesperado acontecer é maior.
Hoje em dia, a maioria dos dispositivos incluindo o HD, drive óptico,
placa wireless e placa de vídeo possuem um software de inicialização,
similar ao BIOS da placa-mãe. Ele pode ser gravado diretamente no
dispositivo, em um chip de memória Flash, ou mesmo algum tipo de
memória ROM, ou ser incorporado ao driver. Essa segunda solução vem
sendo cada vez mais adotada pelos fabricantes, pois permite eliminar o
chip de memória, reduzindo o custo. É por isso que, muitas vezes
(sobretudo ao tentar ativar sua placa wireless ou scanner no Linux),
você precisa baixar, além do driver ou módulo necessário, também os
arquivos que compõem o firmware da placa.





17/03/2008

17 03 2008

* Placa de som 3D
Mostrar imagens no monitor qualquer placa de vídeo ISA faz, mas
conforme o poder de processamento das placas foi evoluindo, não
bastava mais apenas mostrar imagens no monitor, a placa deveria também
ser capaz de gerar gráficos em 3 dimensões. Hoje em dia, não basta
apenas gerar imagens 3D, uma boa placa tem que gerar imagens de boa
qualidade e com um alto frame rate.
Se podemos ter placas de vídeo 3D, capazes de tornar mais reais as
imagens dos jogos e aplicativos 3D, por que não ter também placas de
som 3D? Os sons do mundo real vêem de todos os lados, se alguém vier
andando atrás de você, mesmo não vendo a pessoa você saberá que tem
alguém apenas prestando atenção na direção do som. Por que não ter
este mesmo efeito nos jogos tridimensionais?
A primeira empresa a desenvolver uma API de som tridimensional foi a
Aureal, com seu Aureal 3D, ou simplesmente A3D. As primeiras placas de
som compatíveis com esta API, como a Monster Sound foram lançadas no
início de 97. O A3D 1.0 permite simular 3 eixos: frente e trás,
direita e esquerda e frente e baixo, aplicando filtros especiais para
que o som realmente pareça vir de todas as direções. Estes filtros são
capazes de distorcer sutilmente as ondas sonoras, conseguindo enganar
nossos ouvidos, fazendo-nos pensar que elas vêem de diferentes
direções. Estes filtros consomem uma enorme quantidade de poder de
processamento e seu uso é o principal motivo dos chipsets de som
atuais serem tão poderosos. A vantagem é que como tudo é processado na
própria placa de som, não há quase utilização do processador
principal.
Normalmente, as placas 3D podem trabalhar tanto com um par de caixas
acústicas, quanto com fones de ouvido ou sistemas de quatro caixas.
Uma das maiores dificuldades em conseguir aplicar os efeitos 3D é
manter um posicionamento exato do espectador em relação às fontes de
som. Usando tanto um par da caixas acústicas quanto conjuntos de 4
caixas é preciso posicionar as caixas de modo a formarem um ângulo de
aproximadamente 45 graus com seus ouvidos, e estejam mais ou menos na
mesma altura destes. Nem sempre isso é fácil de se conseguir,
principalmente considerando que durante o jogo normalmente você mexerá
a cabeça, tirando seus ouvidos da posição mais adequada. Devido a
isto, o mais indicado é o uso de fones de ouvido, pois mesmo mexendo a
cabeça eles estarão sempre posicionados corretamente, já que estarão
encaixados a seus ouvidos.
As placas de som que suportam 4 caixas possuem duas saídas line-out,
você deverá acoplar duas caixas em cada saída, totalizando as 4.
Para ouvir perfeitamente o áudio 3D, usar fones de ouvido é a melhor
opção. Em segundo lugar vem o uso de apenas duas caixas. O uso de 4
caixas só deve ser considerado se você realmente vai ter paciência
para ficar procurando o posicionamento mais adequado. Quatro caixas
podem dar um efeito melhor do que apenas duas por tornarem mais forte
o eixo frente e trás, mas será bem mais trabalhoso lidar com elas.
Quase sempre os drivers da placa de som incluem um utilitário que
permite configurar se você vai utilizar duas ou quatro caixas
acústicas. Em muitos casos também existe uma opção específica para
fones de ouvido e até mesmo para outros tipos de conjuntos de caixas.

* Crusoe
Em 2000 a Transmeta era uma companhia relativamente jovem, que trouxe
um novo conceito de processador. A idéia fundamental pode ser definida
com as palavras do seu CEO, David Ditze: "Hoje em dia, no mercado de
processadores RISC, temos grandes grupos de designers trabalhando em
projetos cada vez mais complexos. A questão da performance está muito
menos clara agora. Os processadores RISC não são mais simples e
pequenos, não creio que isto faça muito sentido"..."Processadores
superescalares, e execução de instruções fora de ordem são graves
problemas que limitam a performance. Processadores RISC como o MIPS
R10000 e o HP PA-8000 parecem muito mais complexos para mim do que os
processadores CISC, como o Pentium II. Qual então é a vantagem dos
processadores RISC, se eles não são mais nem simples nem
baratos?" (Traduzido do original em Inglês.)
Na verdade, os simples e baratos processadores RISC do início da
década de 80, acabaram renunciando a seus projetos simples em nome de
performance. Os fabricantes acabam adotando qualquer coisa que possa
aumentar a performance de seus chips, mesmo que isso acabe por torná-
los mais complexos.
Em se tratando de processadores destinados a micros PC, o AMD Athlon é
um exemplo vivo desta característica. Para conseguir desenvolver um
processador com todo este desempenho, os projetistas da AMD acabaram
optando por desenvolver um processador extremamente complexo, que gera
muito calor e consome muita eletricidade. As versões mais rápidas do
Athlon chegam a atingir a marca de 80 Watts, uma verdadeira lâmpada de
silício. Apesar de consumir um pouco menos de eletricidade (comparando
processadores da mesma frequência), o Pentium 4 também não fica atrás
em termos de complexidade e número de transístores, pelo contrário,
possui incríveis 42 milhões de transístores, contra os 35 milhões do
Athlon Thunderbird.
A idéia da Transmeta ao desenvolver o seu processador Crusoe era
abandonar a idéia de "o mais rápido possível" para criar um projeto "o
mais eficiente possível". Isto significa que o Crusoé não nasceu para
ser um processador capaz de gerar 5000 frames por segundo no Quake 3,
mas para ser uma alternativa de chip barato, que consome um mínimo de
energia e é compatível com a plataforma PC. Um processador perfeito
para ser usado em todo tipo de micros portáteis e, quem sabe, também
em desktops em suas futuras versões.
O Crusoe era um processador de baixo consumo, que chegou a ser
utilizado em alguns notebooks ultra-compactos e também em alguns
modelos de baixo custo, incluindo alguns desknotes fabricados pela
ECS.
A principal característica do Crusoe era a de ser um chip VLIW
relativamente simples e bastante eficiente, que executava instruções
x86 através de um software de tradução, batizado de Code Morphing
Software, executado continuamente. Ele tinha a função de converter as
instruções x86 enviadas pelos programas nas instruções simples
entendidas pelo processador, ordená-las de forma a serem executadas
mais rápido e coordenar o uso dos registradores, tarefas que em outros
processadores são executadas via hardware.
Graças a isso, o Crusoe podia ser um chip muito menor e consumir menos
energia. O TM5420 de 600 MHz, por exemplo, consumia menos de 2 watts
operando em full-load, menos do que um 486. O grande problema é que o
Code Morphing Software consumia parte dos recursos do processador (que
já não era muito rápido, para início de conversa), deixando menos
recursos para o processamento de instruções.
Isso fazia com que o Crusoe fosse muito lento se comparado a um Athlon
ou Pentium III do mesmo clock, o que reduziu a procura pelo
processador a ponto de inviabilizar o projeto.

* SSE2
A sigle SSE significa "Double Precision Streaming SIMD Extensions". O
conjunto SSE2, desenvolvido pela Intel e usado a partir do Pentium 4,
consiste em 144 novas instruções de ponto flutuante de dupla precisão.
Elas têm basicamente a mesma função das instruções SSE do Pentium III
e do 3D-Now! Do Athlon: melhorar o desempenho do processador em
aplicativos de ponto flutuante. A diferença é que as instruções do
Pentium 4 são mais poderosas que os conjuntos anteriores e podem ser
utilizadas em mais situações, o que ajudou o Pentium 4 em alguns
aplicativos específicos.
O grande problema é que existe um número brutalmente grande de
softwares em uso e apenas alguns deles acabam sendo devidamente
otimizados para usar novos conjuntos de instruções de forma que no
final o ganho acaba não sendo tão grande quanto se espera.
O Athlon 64 (e os Semprons de 64 bits) incluem um conjunto de
instruções compatível com o SSE2, desenvolvido pela AMD. Isto permite
que eles também se beneficiem de aplicativos otimizados para o Pentium
4, equilibrando a balança e valorizando o trabalho dos
desenvolvedores.
Vale lembrar que tanto o Pentium 4 quanto os processadores AMD (a
partir do Athlon Palomino) são compatíveis também com as instruções
SSE do Pentium III, o que faz com que eles se beneficiem também dos
aplicativos otimizados para o conjunto anterior.