11/04/2008

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* 286

O 286 foi lançado em Fevereiro de 1982. Ele trouxe vários avanços

sobre o 8088. Ele utilizava palavras binárias de 16 bits, tanto

interna quanto externamente, o que permitia o uso de periféricos de 16

bits, muito mais avançados do que os usados no PC original e no XT. O

custo dos periféricos desta vez não chegou a ser um grande obstáculo,

pois enquanto o PC AT estava sendo desenvolvido, eles já podiam ser

encontrados com preços mais acessíveis.

Para manter compatibilidade com os periféricos de 8 bits usados no PC

original e no XT, a IBM desenvolveu os slots ISA de 16 bits, que

permitem usar tanto placas de 8 bits, quanto de 16 bits. As placas de

8 bits são menores e usam apenas a primeira série de pinos do slot,

enquanto as placas de 16 bits usam o slot completo. Devido à sua

popularidade, o barramento ISA continuou sendo usado por muito tempo.

Em 2004 (10 anos depois do lançamento do PC AT) ainda era possível

encontrar placas mãe novas com slots ISA, embora atualmente eles

estejam extintos.

O principal avanço trazido pelo 286 são seus dois modos de operação,

batizados de "Modo Real" e "Modo Protegido". No modo real, o 286 se

comporta exatamente como um 8086 (apesar de mais rápido), oferecendo

total compatibilidade com os programas anteriores, escritos para

rodarem no 8088. Já no modo protegido, ele manifesta todo o seu

potencial, incorporando funções mais avançadas, como a capacidade de

acessar até 16 MB de memória RAM (apesar de ser um processador de 16

bits, o 286 usa um sistema de endereçamento de memória de 24 bits),

multitarefa, memória virtual em disco e proteção de memória.

Assim que ligado, o processador opera em modo real e, com uma

instrução especial, passa para o modo protegido. O problema é que,

trabalhando em modo protegido, o 286 deixava de ser compatível com os

programas escritos para o modo real, inclusive com o próprio MS-DOS.

Para piorar, o 286 não possuía nenhuma instrução que fizesse o

processador voltar ao modo real, o que era possível apenas resetando o

micro. Isso significa que um programa escrito para rodar em modo

protegido, não poderia usar nenhuma das rotinas de acesso a

dispositivos do MS-DOS, tornando inacessíveis o disco rígido, placa de

vídeo, drive de disquetes memória, etc., a menos que fossem

desenvolvidas e incorporadas ao programa todas as rotinas de acesso a

dispositivos necessárias.

Isso era completamente inviável para os desenvolvedores, pois, para

projetar um simples jogo, seria praticamente preciso desenvolver todo

um novo sistema operacional. Além disso, o programa desenvolvido

rodaria apenas em micros equipados com processadores 286, que ainda

eram minoria na época, tendo um público-alvo muito menor. De fato,

apenas algumas versões do UNIX e uma versão do OS/2 foram

desenvolvidas para utilizar o modo protegido do 286.

Basicamente, os micros baseados no 286 eram usados para rodar

aplicativos de modo real, que também podiam ser executados em um XT,

aproveitando apenas a maior velocidade do 286.

* SIMM

Nos micros XT, 286 e nos primeiros 386, ainda não eram utilizados

módulos de memória. Em vez disso, os chips de memória eram instalados

diretamente na placa-mãe, encaixados individualmente em colunas de

soquetes (ou soldados), onde cada coluna formava um banco de memória.

Esse era um sistema antiquado, que trazia várias desvantagens, por

dificultar upgrades de memória ou a substituição de módulos com

defeito. Foi questão de tempo até que alguém aparecesse com uma

alternativa mais prática, capaz de tornar a instalação fácil até mesmo

para usuários inexperientes.

Os módulos de memória são pequenas placas de circuito onde os chips

DIP são soldados, facilitando o manuseio e a instalação.

Os primeiros módulos de memória criados são chamados de módulos SIMM,

sigla que significa "Single In Line Memory Module", justamente porque

existe uma única via de contatos, com 30 vias. Apesar de existirem

contatos também na parte de trás do módulo, eles servem apenas como

uma extensão dos contatos frontais, de forma a aumentar a área de

contato com o soquete. Examinando o módulo, você verá um pequeno

orifício em cada contato, que serve justamente para unificar os dois

lados.

Os módulos de 30 vias possuíam sempre 8 ou 9 chips de memória. Cada

chip fornecia um único bit de dados em cada transferência, de forma

que 8 deles formavam um módulo capaz de transferir 8 bits por ciclo.

No caso dos módulos com 9 chips, o último era destinado a armazenar os

bits de paridade, que melhoravam a confiabilidade, permitindo

identificar erros. Hoje em dia os módulos de memória são mais

confiáveis, de forma que a paridade não é mais usada. No lugar dela,

temos o ECC, um sistema mais avançado, usado em módulos de memória

destinados a servidores.

Os módulos de 30 vias foram utilizados em micros 386 e 486 e foram

fabricados em várias capacidades. Os mais comuns foram os módulos de 1

MB, mas era possível encontrar também módulos de 512 KB, 2 MB e 4 MB.

Existiram também módulos de 8 e 16 MB, mas eles eram muito raros

devido ao custo.

Os processadores 386 e 486 utilizavam um barramento de 32 bits para o

acesso à memória, o que tornava necessário combinar 4 módulos de 30

vias para formar um banco de memória. Os 4 módulos eram então

acessados pelo processador como se fossem um só. Era preciso usar os

módulos em quartetos: 4 módulos ou 8 módulos, mas nunca um número

quebrado.

A exceção ficava por conta dos micros equipados com processadores

386SX, onde são necessários apenas 2 módulos, já que o 386SX acessa a

memória usando palavras de 16 bits.

Apesar de serem muito mais práticos do que manipular diretamente os

chips DIP, os módulos SIMM de 30 vias ainda eram bastante

inconvenientes, já que era preciso usar 4 módulos idênticos para

formar cada banco de memória. Eles foram desenvolvidos pensando mais

na questão da simplicidade e economia de custos do que na praticidade.

Para solucionar o problema, os fabricantes criaram um novo tipo de

módulo de memória SIMM, de 32 bits, que possui 72 vias. Os módulos de

72 vias substituíram rapidamente os antigos nas placas para 486 e se

tornaram o padrão nos micros Pentium, sendo em seguida substituídos

pelos módulos de 168 vias.

Em vez de quatro módulos, é preciso apenas um módulo SIMM de 72 vias

para formar cada banco de memória nos micros 486. Como o Pentium

acessa a memória usando palavras de 64 bits, são necessários 2 módulos

em cada banco. É por isso que nos micros Pentium 1 precisamos sempre

usar os módulos de memória em pares.

O acesso de 64 bits à memória foi introduzido para permitir que o

processador conseguisse acessar grandes quantidades de dados mais

rapidamente. O processador é tão mais rápido que a memória RAM, que

depois de esperar vários ciclos para poder acessá-la, o melhor a fazer

é pegar a maior quantidade de dados possível e guardar tudo no cache.

Naturalmente os dados serão processados em blocos de 32 bits, mas a

poupança ajuda bastante.

Dentro de um banco, todos os módulos são acessados ao mesmo tempo,

como se fossem um só, por isso era sempre recomendável usar dois

módulos iguais. Ao usar quatro módulos, o importante era que cada par

fosse composto por dois módulos iguais. Não existia problema em usar

dois pares de módulos diferentes, como ao usar dois de 16 MB e mais

dois de 8 MB para totalizar 48 MB, por exemplo.

Uma curiosidade é que algumas placas-mãe para Pentium podem trabalhar

com apenas um módulo de 72 vias. Nesse caso, a placa engana o

processador, fazendo dois acessos de 32 bits consecutivos, entregando

os dados de uma só vez para o processador. Apesar de funcionar, esse

esquema reduz bastante a velocidade do micro, pois a taxa de

transferência ao ler dados a partir da memória é efetivamente reduzida

à metade.


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