* RAID 0
Um dos grandes atrativos do RAID é a possibilidade de escolher entre
diferentes modos de operação, de acordo com a relação capacidade/
desempenho/confiabilidade que você pretende atingir.
O RAID 0 (Striping) é um "RAID pra inglês ver", onde o objetivo é
unicamente melhorar o desempenho, sacrificando a confiabilidade.
Ao usar o RAID 0, todos os HDs passam a ser acessados como se fossem
um único drive. Ao serem gravados, os arquivos são fragmentados nos
vários discos, permitindo que os fragmentos possam ser lidos e
gravados simultaneamente, com cada HD realizando parte do trabalho.
Usando RAID 0 a performance fica em um patamar próximo da velocidade
de todos os HDs somada. Ao usar 4 HDs com uma taxa de transferência e
50 MB/s (em leituras seqüenciais) em RAID 0, você teria uma taxa de
transferência total de quase 200 MB/s em muitas situações.
Na verdade, a distribuição dos dados nos drives não é completamente
uniforme. Os arquivos são divididos em fragmentos de tamanho
configurável (opção "chunk size", ou "stripe size"). Se você está
utilizando 3 HDs em RAID 0, utilizando fragmentos de 32 KB, por
exemplo, ao gravar um arquivo de 80 KB teríamos fragmentos de 32 KB
gravados nos dois primeiros HDs e os 16 KB finais seriam gravados no
terceiro, sendo que os 16 KB que "sobraram" no terceiro HD ficariam
como espaço desperdiçado.
A configuração do stripe size, ou seja, do tamanho dos fragmentos, tem
um efeito considerável sobre o desempenho. Se você usa
predominantemente arquivos grandes, então um stripe size de 64 KB ou
mais renderá os melhores resultados. Entretanto, no caso de um
servidor que manipula um grande volume de arquivos pequenos, valores
mais baixos acabam resultando em um melhor desempenho e menos espaço
desperdiçado.
Ao criar um array com 4 HDs de 500 GB em RAID 0, você teria um espaço
total de armazenamento de 2 TB, onde toda a capacidade é dedicada ao
armazenamento de dados, sem redundância.
O problema é que cada HD armazena apenas fragmentos de cada arquivo e
não arquivos completos. Por causa desta peculiaridade, caso qualquer
um dos HDs apresente defeito, você simplesmente perde todos os dados.
O RAID 0 é possivelmente o mais usado em desktops e também em alguns
servidores de alto desempenho. Ele é a melhor opção caso você queira o
melhor desempenho possível e tenha como manter um backup atualizado
dos dados gravados.
Assim como em outros modos RAID, não é realmente obrigatório usar HDs
idênticos, mas isso é fortemente aconselhável, pois tanto a capacidade
quanto o desempenho ficam limitados à capacidade do HD mais lento.
Ao utilizar um HD de 500 GB e outro de 300 GB em RAID 0, o sistema
ignora os últimos 200 GB do HD maior, de forma que você acaba ficando
com um total de 600 GB disponíveis. Os acessos também precisam ser
sincronizados, de forma que ao utilizar um HD com taxa de
transferência máxima de 50 MB/s, em conjunto com 30 MB/s, você acaba
tendo um máximo de 60 MB/s. Ou seja, utilizar dois HDs diferentes é
possível, mas geralmente não é um bom negócio.
* PAE
O PAE (Physical Address Extension), uma extensão para processadores de
32 bits, presente desde o Pentium Pro, que adiciona 4 bits adicionais
ao endereçamento da memória, permitindo que o processador seja capaz
de acessar até 16 páginas de 4 GB cada, totalizando 64 GB. Cada
programa continua restrito a um máximo de 4 GB, mas o sistema pode
alocar diferentes páginas para aplicativos diferentes, utilizando
assim toda a memória disponível.
O PAE é muito usado em servidores, embora esteja sendo rapidamente
substituído pelo uso de processadores e sistemas operacionais de 64
bits. Ele é suportado pelo Windows Server 2003 e pelo Windows 2000,
onde pode ser ativado através da opção "/PAE" no arquivo boot.ini, mas
não é uma solução viável para quem precisa usar mais do que 4 GB de
memória em um desktop, devido a uma série de problemas relacionados a
drivers.
O PAE apresenta endereços de 64 bits aos drivers, o que torna
necessário que eles sejam modificados para utilizar o sistema. Como o
uso do PAE sempre foi limitado a servidores, muitos dispositivos não
possuem drivers compatíveis e nem sempre é fácil encontrar os
disponíveis. Existem ainda problemas de compatibilidade com diversos
aplicativos. Atualmente, é muito mais simples migrar para as versões
de 64 bits do Vista (ou mesmo para o XP de 64 bits) do que passar a
utilizar o PAE, de forma que é melhor não perder tempo com ele no caso
dos desktops.
Outro problema fundamental do PAE é a questão do desempenho. O
processador continua sendo capaz de acessar apenas 4 GB de memória por
vez e precisa chavear continuamente entre as páginas disponíveis. Além
de demorar um certo tempo, cada chaveamento faz com que os dados
armazenados nos caches precisem ser completamente substituídos, o que
prejudica de forma perceptível o desempenho. Ou seja, tentar usar o
PAE em um desktop para acessar mais memória e assim melhorar o
desempenho é simplesmente contra produtivo. ![]()
Uma observação importante é que todas as versões do Windows XP, a
partir do SP2 tem o PAE desativado, justamente para evitar problemas
de compatibilidade. Nele, a opção "/PAE" no boot.ini simplesmente não
faz nada.
* Advanced Smart Cache
O Advanced Smart Cache é um sistema de cache unificado, usado no Core
2 Duo e outros processadores Intel, onde os dois núcleos compartilham
o mesmo bloco de cache L2, em vez de cada um possuir um cache
separado, como no caso do Pentium D e do Athlon X2.
A principal vantagem desta abordagem é evitar a duplicação de
informações quando ambos os núcleos estão trabalhando no mesmo bloco
de instruções. Em vez de a informação ser carregada duas vezes na
memória (uma vez para cada bloco de cache) e ser armazenada duas
vezes, tudo é feito uma vez só, o que poupa tanto o barramento com a
memória, quanto economiza espaço no cache, aumentando o número de
informações efetivamente armazenadas. Outra vantagem é que, em
momentos de baixa atividade, quando apenas um dos núcleos estiver
ativo, ele pode "tomar conta" do cache, reservando a maior parte do
espaço para si, de forma a trabalhar mais eficientemente.
Criar um cache unificado deve ter representado um grande desafio do
ponto de vista técnico, já que com ambos os processadores acessando o
cache simultaneamente, constantemente gravando e apagando informações,
é muito difícil manter a coerência do cache, evitando que um modifique
as informações armazenadas pelo outro. Os circuitos necessários para
coordenar o acesso ao cache ocuparam um grande número de transístores
do processador, mas uma vez que o problema foi resolvido, o Smart
Cache realmente representa uma vantagem importante.
* Rede Wireless
Apesar de inicialmente muito mais caras, as redes wireless estão
gradualmente caindo de preço e se popularizando. Além da questão da
praticidade, as redes wireless podem ser utilizadas em casos onde, por
um motivo ou outro, não é viável usar cabos.
Existem três padrões diferentes de rede wireless em uso. O primeiro (e
mais comum) é o 802.11b, onde a rede opera a uma taxa teórica de 11
megabits.
O seguinte é o 802.11a, que ao contrário do que o nome dá a entender,
é mais recente que o 802.11b. As redes 802.11a são mais rápidas (54
megabits) e são mais resistentes a interferências, pois operam na
faixa de freqüência dos 5 GHz, em vez dos 2.4 GHz usados no 802.11b. A
desvantagem é que, pelo mesmo motivo (a freqüência mais alta), o
alcance das redes 802.11a é menor, cerca de metade do alcance de uma
rede 802.11b. As placas 802.11a são relativamente raras e, como a
maioria é capaz de operar nos dois padrões, muitas delas acabam
operando a 11 megabits, juntando-se a redes 802.11b já existentes.
Finalmente, temos o 802.11g, o padrão atual. Ele junta o melhor dos
dois mundos, operando a 54 megabits, como no 802.11a, e trabalhando na
mesma faixa de freqüência do 802.11b (2.4 GHz), o que mantém o alcance
inicial. Para que a rede funcione a 54 megabits, é necessário que
tanto o ponto de acesso, quanto todas as placas sejam 802.11g, caso
contrário a rede inteira passa a operar a 11 megabits, a fim de manter
compatibilidade com as placas antigas. Muitos pontos de acesso
permitem desativar esse recurso, fazendo com que as placas de 11
megabits simplesmente fiquem fora da rede, sem prejudicar o desempenho
das demais.
As redes wireless também são redes Ethernet e também usam o TCP/IP.
Mas, além da configuração dos endereços IP, máscara, gateway, etc.,
feita da mesma forma que numa rede cabeada, temos um conjunto de
parâmetros adicional.
A configuração da rede wireless é feita em duas etapas. Primeiro você
precisa configurar o ESSID, o canal e (caso usada encriptação) a chave
WEP ou WPA que dá acesso à rede.
O ESSID é uma espécie de nome de rede. Dois pontos de acesso,
instalados na mesma área, mas configurados com dois ESSIDs diferentes
formam duas redes separadas, permitindo que a sua rede não interfira
com a do vizinho, por exemplo. Mesmo que existam várias redes na mesma
sala, indicar o ESSID permite que você se conecte à rede correta.
Em seguida temos o canal, que novamente permite que vários pontos de
acesso dentro da mesma área trabalhem sem interferir entre si. Temos
um total de 16 canais (numerados de 1 a 16), mas a legislação de cada
país permite o uso de apenas alguns deles. Nos EUA, por exemplo, é
permitido usar apenas do 1 ao 11 e na França apenas do 10 ao 13. Essa
configuração de país é definida na configuração do ponto de acesso.
O ESSID sozinho provê uma segurança muito fraca, pois qualquer um que
soubesse o nome da rede poderia se conectar a ele ou mesmo começar a
escutar todas as conexões. Embora o alcance normal de uma rede
wireless, usando as antenas padrão das placas e os pontos de acesso,
normalmente não passe de 30 ou 50 metros (em ambientes fechados)
usando antenas maiores, de alto ganho e conseguindo uma rota sem
obstáculos, é possível captar o sinal de muito longe, chegando a 2 ou
até mesmo a 5 km, de acordo com a potência de sinal do ponto de acesso
usado.
Como é praticamente impossível impedir que outras pessoas captem o
sinal da sua rede, a melhor solução é encriptar as informações, de
forma que ela não tenha utilidade fora do círculo autorizado a acessar
a rede.
Existem atualmente três padrões de encriptação, o WEP de 64 bits, o
WEP de 128 bits e o WPA, o padrão mais recente e mais seguro.
Embora nenhum dos três seja livre de falhas, elas são uma camada
essencial de proteção, que evita que sua rede seja um alvo fácil. É
como as portas de uma casa. Nenhuma porta é impossível de arrombar,
mas você não gostaria de morar numa casa sem portas. O WEP é
relativamente fácil de quebrar, usando ferramentas como o kismet e ao
aircrack, mas o WPA pode ser considerado relativamente seguro.
Ao usar WEP, você define uma chave de 10 (WEP de 64 bits) ou 26 (WEP
de 128 bits) caracteres em hexa, onde podem ser usados números de 0 a
9 e as letras A, B, C, D, E e F. Também é possível usar caracteres
ASCII (incluindo acentuação e todo tipo de caracteres especiais);
nesse caso as chaves terão respectivamente 5 e 13 caracteres.
A regra básica é que os micros precisam possuir a chave correta para
se associarem ao ponto de acesso e acessarem a rede. Em geral os
pontos de acesso permitem que você especifique várias chaves
diferentes, de forma que cada micro pode usar uma diferente.

