* RAMBUS
Assim como as memórias BEDO, as RDRAM são um tipo proprietário de
memória, que acabou não ganhando popularidade.
Os módulos de memórias Rambus são chamados de "Rambus Inline Memory
Modules" ou RIMMs. Os módulos RIMM são bem semelhantes aos módulos
DIMM, mas em geral eles vêm com uma proteção de metal sobre os chips
de memória, que também serve para facilitar a dissipação de calor, já
que os módulos RIMM aquecem bastante devido à alta freqüência de
operação.
Uma particularidade era a necessidade de instalar módulos terminadores
em todos os slots não populados da placa-mãe, para reduzir o nível de
ruído eletromagnético.
Em 1996 a Intel fechou um acordo com a Rambus Inc., uma então pequena
empresa que desenvolvia um tipo de memória otimizada para sistemas que
precisam de um largo barramento de dados com a memória. As memórias
Rambus foram utilizadas no Nintendo 64 e no Playstation 2, e o plano
era que elas fossem adotadas em larga escala nos PCs, com a ajuda da
Intel. A Rambus Inc. receberia royalties dos fabricantes e a Intel
ficaria com parte do bolo, na forma de incentivos e descontos.
A Intel introduziu o suporte às memórias Rambus a partir do chipset
i820, ainda na época do Pentium III, e continuou tentando empurrar a
tecnologia com o chipset i850, usado na primeira geração de placas
para Pentium 4.
O problema era que o chipset i850 suportava somente memórias Rambus,
sem opção de usar memórias SDRAM ou DDR (que eram novidade na época).
Na época do lançamento do Pentium 4, um módulo RIMM de 64 MB custava US
$ 99, enquanto um módulo de memória PC-133 da mesma capacidade custava
apenas US$ 45. Isto significava gastar US$ 216 (ao comprar 256 MB) a
mais, só de memória, sem contar a diferença de preço do processador
Pentium 4 e da placa-mãe, que na época ainda eram consideravelmente
mais caros.
As memórias Rambus utilizam um barramento de dados de apenas 16 bits
de largura, em oposição aos 64 bits utilizados pelos módulos de
memória SDRAM, suportando em compensação freqüências de barramento de
até 400 MHz com duas transferências por ciclo (como o AGP 2x), o que
na prática equivale a uma freqüência de 800 MHz. Essa organização
lembra um pouco o barramento PCI Express, onde o uso de menos trilhas
de dados permitem a operação a freqüências mais altas.
Trabalhando a 400 MHz com duas transferências por ciclo, sua
velocidade máxima, as memórias Rambus permitem uma banda total de 1.6
gigabytes por segundo. O i850 era capaz de acessar dois módulos
simultaneamente, proporcionando um barramento total de 3.2 GB/s. Essa
é uma marca respeitável, comparável à de um módulo DDR-400, porém
atingida em 2001.
O grande problema era que apesar da boa taxa de transferência, os
módulos trabalhavam com tempos de latência muito altos. Isso
prejudicava muito o desempenho, fazendo com que um Pentium III
espetado numa placa-mãe i820 com um módulo RIMM acabasse sendo mais
lento na maioria das aplicações que um PC simular equipado com
memórias SDRAM PC-133. Mesmo em conjunto com o Pentium 4, que incluía
uma série de otimizações (incluindo o uso de módulos RIMM em pares),
as memórias Rambus falhavam em oferecer algum ganho tangível de
performance em relação às memórias DDR.
Pouca gente comprou as versões iniciais do Pentium 4 e, quem se
arriscou, acabou com um abacaxi nas mãos. Isto obrigou a Intel a
modificar a plataforma, passando a utilizar memórias DDR padrão. A
demora gerou um vácuo, que permitiu que a AMD aumentasse
consideravelmente sua participação no mercado, já que contava com o
Athlon Thunderbird, um processador mais barato e mais eficiente.
No final, as memórias DDR (seguidas pelas DDR2) ganharam a briga,
tornando-se o padrão de memória dominante. Mais uma vez a indústria
rejeitou um padrão proprietário de memória, em favor de um padrão
aberto.
* VLB
Lançado em 93 pela Video Electronics Standards Association (uma
associação dos principais fabricantes de placas de vídeo), o VLB (VESA
Local Bus) é um barramento de expansão, muito mais rápido que o ISA,
EISA ou o MCA.
Inicialmente o VLB (ou VESA, como é chamado por muitos) surgiu como
barramento próprio para a conexão da placa de vídeo. Nesta época, o
Windows 3.11 e os aplicativos gráficos já eram populares, de forma que
existia uma grande demanda por placas de vídeo mais rápidas.
O "rápido" que menciono aqui é a simples capacidade de atualizar a
tela em tempo real enquanto edita uma imagem no Photoshop, não tem
nada a ver com aceleração 3D ou exibição de vídeo em alta resolução,
como temos hoje em dia
. Além de serem muito lentas, as placas de
vídeo ISA eram limitadas à exibição de apenas 256 cores.
Graças à boa velocidade, o VLB acabou tornando-se o padrão também para
outros periféricos, como controladoras IDE e SCSI. Novamente, existiu
a preocupação de manter compatibilidade com as placas ISA, de forma
que os slots VLB são na verdade uma expansão, onde temos um slot ISA
tradicional, seguido por um segundo conector, que inclui os pinos
adicionais.
Isso rendeu o apelido de "Very Long Bus" (barramento muito comprido ![]()
e trouxe uma série de problemas de mal contato, já que se a placa-mãe
não estivesse muito bem presa ao gabinete, a pressão necessária para
encaixar as placas faziam com que a placa envergasse, comprometendo o
encaixe. A grande pressão necessária acabava danificando os contatos
com o tempo, o que, combinada com a oxidação natural, acabava fazendo
com que muitas placas realmente deixassem de funcionar depois de
removidas e reinstaladas algumas vezes.
O VLB é um barramento local, onde os contatos são ligados diretamente
aos pinos do processador. Esse design simples barateava a produção das
placas-mãe, mas fazia com que a utilização do processador fosse
relativamente alta e não fosse possível utilizar mais do que 3 placas
VLB no mesmo micro.
O VLB se tornou rapidamente o padrão de barramento para placas para
micros 486, mas acabou desaparecendo com a introdução do barramento
PCI. Uma curiosidade é que as primeiras placas para micros Pentium (a
primeira geração, que oferecia suporte apenas aos Pentium de 60 e 75
MHz) chegaram a incluir slots VLB, utilizando uma versão adaptada do
barramento.
O VLB funciona na mesma freqüência da placa mãe, ou seja, num 486 DX-2
50, onde a placa mãe funciona a 25 MHz, o VLB funcionará também a
25MHz. E, em uma placa de 486 DX-4 100, que funciona a 33 MHz, o VLB
funcionará também a 33 MHz. Vale lembrar que o VLB é um barramento de
32 bits. As desvantagens do VLB são a falta de suporte a Bus Mastering
e a Plug-and-Play, além de uma alta taxa de utilização do processador
e limitações elétricas, que permitem um máximo de 2 ou 3 slots VLB por
máquina. Isto não chegava a ser uma grande limitação, pois geralmente
eram utilizados apenas uma placa de vídeo e uma placa Super-IDE VLB.
* Athlon XP
O Palomino foi a quarta geração do Athlon, sucessor do Thunderbird.
Ele foi usado nos primeiros modelos do Athlon XP, Mobile Athlon 4 (a
versão mobile, destinada a notebooks) e também do Athlon MP. Quando
chegou a hora de lançar as versões destinadas a PCs domésticos, a AMD
chegou a ameaçar usar o nome "Athlon 4", mas depois mudou de idéia e
resolveu apelar para a marca "Athlon XP". Oficialmente o "XP" vem de
"Extreme Performance", mas na época pareceu óbvio que a idéia era
pegar carona no esforço de marketing da Microsoft feita em torno do
Windows XP.
Ao invés de continuar vendendo o Athlon XP com base na freqüência de
clock, a AMD passou a utilizar um índice de desempenho que comparava o
desempenho do processador com o de um Pentium 4. Foram lançadas no
total 7 versões do Athlon XP baseado no core Palomino, todas
utilizando bus de 133 MHz: 1500+ (1.33 GHz), 1600+ (1.4 GHz), 1700+
(1.46 GHz), 1800+ (1.53 GHz), 1900+ (1.6 GHz), 2000+ (1.66 GHz) e
2100+ (1.73 GHz).
Como você pode notar, a cada aumento de 100 pontos no índice, a AMD
aumentava apenas 66 MHz na freqüência do processador, o que foi
progressivamente minando a credibilidade do índice. O XP 1500+
superava com facilidade um Pentium 4 Willamette de 1.5 GHz, que
operava a uma freqüência apenas 166 MHz maior, mas quando chegou no
2000+, o Willamette passou a ganhar em muitas aplicações. A situação
se tornou mais grave com o lançamento do Northwood, que era até 10%
mais rápido que um Willamette do mesmo clock.
A partir do Athlon XP, a AMD passou a utilizar um novo encapsulamento,
composto de resinas plásticas, gradualmente substituindo o antigo
encapsulamento de cerâmica, usado desde os primeiros chips. Embora o
termo "resinas plásticas" não inspire muita confiança, o
encapsulamento é bastante resistente e permitiu uma precisão muito
maior no posicionamento do núcleo do processador, dos filamentos de
conexão e também dos capacitores responsáveis por estabilizar o
fornecimento elétrico do processador. Tudo isso contribuiu para
permitir o lançamento das versões mais rápidas do Palomino. Alguns
processadores foram fabricados na cor verde e outros na cor marrom,
mas esses são detalhes estéticos que não têm relação com a performance
do processador.
Mais tarde foram lançadas versões do Athlon XP baseadas no core
Thoroughbred e no Barton, até que a linha foi descontinuada, dando
lugar às versões iniciais do Sempron, que passou a ser a linha de
processadores de baixo custo da AMD.

