Os primeiros modems ADSL ofereciam apenas a função básica, que é modular o sinal, permitindo que um PC ligado a ele possa acessar a web. Com o passar do tempo, a popularização da tecnologia e o barateamento dos componentes possibilitaram o lançamento de modems com cada vez mais recursos, incluindo funções de roteador, firewall, suporte a QoS e outros recursos, que hoje em dia são padrão mesmo nos modelos mais baratos.

Não seria viável ter que instalar um teclado, mouse e monitor no modem ADSL para ter acesso à interface de configuração. Em vez disso, o modem inclui um mini-servidor web, que disponibiliza um conjunto de páginas web com as opções disponíveis.
Como não existe uma interface de configuração padrão para modems ADSL, cada fabricante apresenta as funções de um jeito diferente, o que, combinado com a fraca documentação e o fraco suporte prestado pelas operadoras e pelos provedores de acesso, faz com que a configuração dos modems ADSL pareça mais complicada do que realmente é.
Vamos então a um resumo das opções disponíveis e alguns exemplos de configuração:
O básico
O modem ADSL pode ser configurado através de uma interface de configuração, que fica acessível por padrão apenas a partir da rede local. Em primeiro lugar, crie a comunicação física entre o PC e o modem, ligando-os através de um cabo cross-over ou um hub/switch.
O modem vem de fábrica com um endereço IP padrão, como, por exemplo, 10.0.0.138 ou 192.168.1.1 e uma senha de acesso simples, como “1234″ ou “admin”. Muitas vezes, as operadoras alteram as senhas dos modems, para impedir que o usuário o reconfigure para trabalhar como roteador. Nesse caso, você vai ter o trabalho de pesquisar na web quais as senhas usadas pela operadora e testar uma a uma até achar a usada no seu modem, uma dor de cabeça a mais. Felizmente essa prática vem se tornando menos comum.
A configuração padrão varia de modem para modem, por isso é importante ter em mãos o manual do seu. Se o modem utilizar uma faixa de endereços diferente da utilizada na rede, basta alterar a configuração de rede do micro, para que ele utilize um endereço dentro da mesma faixa utilizada pelo modem. A partir daí você pode acessá-lo usando o navegador.
A configuração do modem é dividida em duas seções principais: LAN e WAN. Imagine que o modem ADSL é na verdade um mini-roteador, que possui duas interfaces de rede: a interface ADSL (WAN), onde vai o cabo telefônico e uma interface de rede local (LAN), que é ligada ao switch da rede.
Na seção LAN vai a configuração da rede local, incluindo o endereço IP e a máscara de sub-rede, através da qual o modem fica acessível dentro da rede local. Ao acessar pela primeira vez, não se esqueça de alterar a configuração, para que o modem passe a utilizar um endereço dentro da faixa usada na rede.
Além de permitir acessar a interface de configuração, o endereço definido na configuração do modem passa a ser o gateway padrão da rede ao configurá-lo como roteador. Normalmente utilizamos o primeiro ou o último endereço da rede para o gateway, como em “192.168.1.1″ ou “192.168.1.254″, mas isso é apenas uma convenção, não uma regra.

Quase sempre, está disponível também um servidor DHCP, que deve ser configurado com uma faixa de endereços livres na sua rede. Na configuração, você indica um endereço de início e fim para a faixa usada pelo servidor DHCP, como de 192.168.1.2 a 192.168.1.100 e os demais endereços ficam livres para PCs configurados com IP fixo. É importante enfatizar que você deve ter apenas um servidor DHCP no mesmo segmento de rede, de forma que se você já tem um servidor DHCP ativo na rede, o servidor DHCP do modem deve ser desativado. Aqui temos um exemplo, dentro da configuração do mesmo D-Link 500G do screenshot anterior:

A opção “Lease Time” dentro da configuração indica o tempo que os endereços serão “emprestados” para as estações. Após esse período, a estação deve renovar o endereço ou deixar de usá-lo. Isso evita que endereços fiquem eternamente reservados a micros que não fazem mais parte da rede.
Em seguida temos a configuração dos endereços DNS que serão fornecidos aos clientes. Aqui temos um segundo exemplo, na configuração de um modem Kayomi LP-AL2011P (que é, na verdade, um Conexant Hasbani), onde a configuração dos endereços de rede e do servidor DHCP são unificadas em uma única seção:

Nos modems atuais, a interface de configuração é sempre acessada usando o navegador, mas em alguns modelos antigos (como no Parks Prestige) era usada uma interface em modo texto, acessada via telnet, usando o terminal (no Linux) ou o prompt do MS-DOS (no Windows), como em:
Connected to 192.168.1.1.
Escape character is ‘^]’.
Password: [SSL not available] ********
À primeira vista, uma interface em modo texto não parece muito amigável, mas em essência é o mesmo bolo, apenas com uma cobertura diferente. No caso da Interface do Parks Prestige, a configuração da rede e do servidor DHCP vai no menu “3. Ethernet Setup > 2. TCP/IP and DHCP Setup”:


Dentro da configuração do DHCP, a opção “Client IP Pool Starting Address=” indica o primeiro endereço IP que será atribuído (os números abaixo deste ficam reservados para micros com IP fixo) e o número máximo de clientes que receberão endereços IP (Size of Client IP Pool). Usando um pool de 6 endereços, com início no 192.168.1.33, por exemplo, a faixa iria até o 192.168.1.38, suficiente para uma rede com apenas dois ou três micros.
Depois de terminar, não esqueça de alterar também a senha de acesso, já que as senhas padrões dos modems são bem conhecidas. Embora a interface de configuração não fique disponível para a web (em muitos modems você pode ativar o acesso, mas via de regra ele fica desativado), nada impede que algum usuário da rede, ou algum vizinho que consiga acesso à sua rede wireless resolva pregar peças alterando a configuração do modem.

Em seguida temos a configuração do link ADSL propriamente dito, que vai na seção WAN, que é composta por basicamente duas informações: os códigos VPI e VCI e o sistema de encapsulamento usado pela operadora.
VPI é abreviação de “Virtual Path Identifier” e VCI de “Virtual Circuit Identifier”. Juntos, os dois endereços indicam o caminho que o modem ADSL deve usar dentro da rede de telefonia para chegar até o roteador que oferece acesso à web. Você pode imaginar os dois valores como um número de telefone ou como um endereço de rede. Sem indicar os endereços corretamente na configuração do modem, a conexão simplesmente não é estabelecida.
Os valores VPI/VCI usados atualmente no Brasil são:
Telefonica: VPI 8, VCI 35
Telemar: VPI 0, VCI 33
CTBC: VPI 0, VCI 35
Brasil Telecom: VPI 0, VCI 35
Brasil Telecom (no RS): VPI 1, VCI 32
GVT: VPI 0, VCI 35
Você pode confirmar esses valores ligando para o suporte técnico, ou pesquisando na web. É fácil obter estas informações.
Outra informação importante é o tipo de encapsulamento usado, ou seja, o tipo de protocolo que é simulado através do link ADSL. No Brasil é usado quase que exclusivamente o PPPoE encapsulado via LLC, de forma que é esta a configuração que você deve utilizar a menos que seja orientado pela operadora ou o provedor a fazer diferente. Apesar disso, os modems ADSL oferecem diversas outras possibilidades. Vamos entender o que elas significam:
PPPoE: Neste modo o link ADSL se comporta como um link Ethernet, usando o mesmo formato de frame e o mesmo sistema de endereçamento. Sobre este link Ethernet é criada uma conexão ponto a ponto (PPP), que liga seu PC, ou seu modem ADSL ao servidor de acesso remoto, passando pelo DSLAN instalado na central, daí o termo “PPPoE”, que significa “PPP over Ethernet”.
A conexão PPP simula uma conexão discada. Ao configurar o modem como bridge a “discagem” é feita pelo seu PC, de forma que você precisa ativar e desativar a conexão quando desejado, enquanto que ao configurar o modem como roteador o próprio modem efetua a conexão e roteia os pacotes ao PC, que passa a enxergar uma conexão de rede. O uso do link PPP adiciona uma camada extra de segurança na conexão, permitindo o uso de encriptação e autenticação.
PPPoA: Neste modo o link ADSL se comporta como um link ATM, que é o sistema tradicionalmente usado no sistema telefônico. O protocolo ATM oferece um overhead um pouco menor que o PPPoE, o que aumenta sutilmente o volume de dados “úteis” transportados através do link. Assim como no caso do PPPoE, o link ATM é usado para criar uma conexão PPP, com suporte a autenticação e tudo mais.
O problema é que os equipamentos compatíveis com o ATM são mais caros, de forma que as operadoras preferem utilizar o PPPoE. Outro fator é que no PPPoA o modem ADSL precisa obrigatoriamente ser configurado como roteador, não como bridge. Isso acontece porque no PPPoA o link precisa ser terminado em uma interface ATM. Como usamos placas de rede Ethernet e não ATM, é necessário que o próprio modem atue como terminador e roteie os pacotes para o PC.
Existem diversos mitos com relação ao PPPoA, entre eles que o PPPoA é usado apenas em planos empresariais, ou que ele é usado em conexões com IP fixo, mas na verdade ele indica apenas o tipo de modulação escolhido pela operadora. Tanto o PPPoE quanto o PPPoA suportam autenticação e ambos podem ser utilizados tanto em conexões com IP fixo quanto em conexões com IP dinâmico.
Durante algum tempo, era comum que as operadoras disponibilizassem os dois sistemas, de forma que você podia usar qualquer um na configuração do modem, mas lentamente o suporte ao PPPoA foi retirado, deixando apenas o PPPoE.
Outros sistemas de encapsulamento suportados por alguns modems, mas raramente usados são o MER (MAC Encapsulated Routing) e o IPoA (IP over ATM). Eles podem ser ignorados, pois não são usados por nenhuma operadora nacional.
LLC e VC-Mux: O PPPoE ou o PPPoA são complementados por um segundo sistema de encapsulamento, que indica o protocolo usado. O LLC é o sistema mais comum, pois permite que sejam usados diversos protocolos de rede diferentes (mesmo que simultaneamente) em um único circuito. Em troca, ele adiciona um campo extra de identificação em cada pacote, o que aumenta o overhead da rede.
O segundo sistema é o VC-Mux (também chamado de VC), que oferece um overhead um pouco menor, mas em troca demanda o uso de um circuito separado para cada protocolo, o que aumenta os custos para a operadora. O VC-Mux é usado em alguns países da Europa, mas é extremamente incomum aqui no Brasil.
Aqui temos um exemplo de configuração, na interface do D-Link 500G:

Você pode notar que estão presentes também as opções PVC, Authentication e MTU, que não citei anteriormente.
PVC é abreviação de “Private Virtual Circuit”. Normalmente, é usado um único PVC, responsável pelo link com a web, de forma que você simplesmente escolhe “PVC0″ na configuração e especifica as demais informações referentes à conexão. É possível para as operadoras incluir mais circuitos virtuais na mesma conexão, usando um segundo circuito para VoIP, por exemplo, mas isso não é comum.
A opção Authentication aceita os valores “PAP e “CHAP”, que são os dois protocolos de autenticação usados em conjunto com o PPP. Normalmente, os provedores suportam ambos os protocolos, de forma que tanto faz qual dos dois é escolhido.
A opção MTU permite definir o tamanho dos pacotes enviados através do link ppp, que podem conter até 1492 bytes no PPPoE e até 1500 bytes no PPPoA. Usar um tamanho de pacote menor pode ajudar em links ruins, mas normalmente só serve para reduzir a velocidade da conexão. A menos que tenha um bom motivo, simplesmente use o valor máximo.
Aqui temos um segundo exemplo, com a configuração no Kayomi LP-AL2011P. Veja que ele oferece também a opção de definir um IP estático (que seria usada apenas caso você utilizasse um plano empresarial, com IP fixo). A opção “Mac Spoofing” permite forjar o endereço MAC da interface WAN, como às vezes é necessário para conectar a partir de outro micro nos planos de acesso via cabo:

Se você está curioso sobre a configuração na interface de modo texto do Parks, aqui vai mais um exemplo. Note que ele oferece a opção “IP Address Assignment”, que indica se a conexão utiliza IP fixo ou dinâmico. As opções “ISP’s Name” e “Service Name” são apenas para dar nome à conexão, sem efeito sobre a configuração:



Caramba! Ótimo tutorial, bem explicativo sobre varias funções e seus significados. Não costumo postar elogios, mais seu blog mereceu os meus. Parabéns!!!
Opa…
Vlw cara, qlq coisa tamos aí
Lembrando que esse tuto é do Morimoto